Profissões em alta no pós-pandemia: qual vale a pena?

29 de junho de 2022
Profissões em alta no pós-pandemia: qual vale a pena?

Recentemente, o mundo passou por uma pandemia que abalou todos os setores da sociedade, onde ainda é possível ver os seus impactos. A economia  sofreu grandes recessões e o mercado de trabalho passou por transformações inesperadas, onde funções deixaram de ser valorizadas, diante desse cenário caótico. Porém, existem profissões em alta nesse período pós-pandemia que vale o seu olhar e dedicação.  

Estar atento às mudanças e às novas tendências que vão surgindo no mercado de trabalho é importante para que você saiba para onde ir. Porém, nada substitui a sua vocação e os seus gostos pessoais quanto à sua futura, ou atual, carreira profissional. 

Claramente, é importante que você atue na área que você tenha mais interesse e que suas qualidades possam ser melhor aproveitadas, mas ter uma visão mais amadurecida do mercado de trabalho e como essas engrenagens funcionam é primordial para você conseguir tomar decisões mais assertivas, em todas as áreas da sua vida. 

Portanto, fizemos este artigo para te ajudar no seu direcionamento ou até na procura de especializações na sua área de atuação, que estejam na lista de profissões em alta. 

Primeiramente, desenvolva o autoconhecimento

Além de entender que o mercado de trabalho está sempre em desenvolvimento, é importante se conhecer a ponto de conseguir sinalizar todas as suas hard e soft skills. Afinal, as empresas não procuram somente por diplomas e sim por profissionais completos, que dominem tanto o lado prático e teórico da profissão, quanto as habilidades interpessoais. 

Para você desenvolver o autoconhecimento , listamos algumas dessas habilidades para que você se analise e possa construir um caráter mais profissional diante dessas mudanças constantes do mercado de trabalho. 

HABILIDADES MAIS PROCURADAS POR EMPRESAS

  • Facilidade em se comunicar;
  • Criatividade;
  • Adaptação aos novos modelos de trabalho (remoto ou híbrido);
  • Resiliência e disponibilidade para mudanças;
  • Autoconhecimento e inteligência emocional;
  • Proatividade; 
  • Habilidade na gestão de tempo e tarefas.

Conheça as 7 profissões em alta e se inspire!

Reunimos abaixo, através de pesquisas de mercado, as profissões em alta que ascenderam no período pós-pandemia, quando o mundo mudou todas as suas concepções e funções. Leia com atenção cada uma delas e veja se você se identifica com alguma. 

1. Marketing digital

A presença no digital nunca se tornou tão necessária durante a pandemia, quando o contato mais próximo não era uma possibilidade. Com isso, o e-commerce e o marketing digital cresceram drasticamente neste período. Afinal, quem não está on-line, não é visto e muito menos lembrado! 

De acordo com o Neotrust, empresa de inteligência para o comércio eletrônico, o e-commerce brasileiro teve um crescimento de 12,6% no primeiro trimestre deste ano e 9,7 milhões de compras on-line , ou seja, 14% a mais que no mesmo período do ano passado. 

Nitidamente, essa é uma das profissões em alta que vem avançando rapidamente e para isso é necessário profissionais qualificados para ocuparem funções significativas. Quer sejam graduados em Marketing, ou outras áreas relacionadas como o Jornalismo, Publicidade, Letras e até os Designers e Desenvolvedores. 

2. Ux Experience

Outra tendência que está em alta no mercado de trabalho, é garantir que o usuário tenha uma excelente experiência durante todo o seu processo de consumo. Para atender a essa demanda, empresas procuram por profissionais dedicados à experiência do usuário. Dentre eles, destacam-se os seguintes cargos:

  • Customer Success;
  • Gestor de Comunidade;
  • UX Writing;
  • UX Design.

3. Tecnologia da Informação

Com a necessidade de melhorar visibilidade, autoridade digital e melhores resultados empresariais, essas instituições recorrem, sabiamente, à transformação digital. A presença no on-line é primordial para que as empresas deslanchem e saiam dos prejuízos arrecadados ainda na pandemia. 

Para isso, nada melhor do que um profissionais de TI (Tecnologia da Informação) qualificado para auxiliar toda a equipe nesse processo de proteção de dados que são compartilhados por todas as transações, como já citamos anteriormente: realização de cadastros individuais para o desenvolvimento do e-commerce, reuniões virtuais e até eventos disponibilizados pela empresa. 

Logo, estes profissionais são peças-chave para que uma empresa ganhe destaque em todos os sentidos, especialmente no meio digital. Eles podem atuar em diferentes áreas como, por exemplo:

  • Especialista de infraestrutura e redes;
  • Analista de Segurança Cibernética;
  • Especialistas em nuvem;
  • Líder de segurança cibernética;
  • Analista de Suporte e Service Desk;
  • Líder em Data Science, entre outros.

4. Educação física

Após o longo período de reclusão em casa, por causa da pandemia, a saúde física da população ficou debilitada, através do ganho de peso e gordura prejudicando, então, o bem-estar . Portanto, após quase dois anos, as academias receberam o aval de aprovação para a liberação das suas atividades e a procura por profissionais de Educação Física aumentou consequentemente. 

Estes profissionais são procurados para ministração de aulas específicas dentro de academias ou através de um atendimento personalizado como personal trainner. Além disso, eles podem atuar auxiliando os alunos na prática do exercício físico, ou aplicando cursos e atendimentos on-line. 

5. Psicologia e Psiquiatria

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um aumento de 25% de pessoas diagnosticadas com ansiedade e depressão no primeiro ano da pandemia da Covid-19, mundialmente falando. Por causa disso, a necessidade de procurar por profissionais qualificados da área, como psicólogos e psiquiatras, aumentou consideravelmente. 

A saúde mental começou a ser colocada em pauta com mais veemência e não vista como uma fragilidade . A partir disso, várias empresas começaram a adotar medidas que pudessem ajudar os seus funcionários a não trabalharem excessivamente e não adquirirem transtornos mentais, assim como a Síndrome de Burnout – quando o corpo chega ao seu limite, muitas vezes por estresse agudo. 

Neste sentido, a terapia se tornou uma ajuda essencial para a sociedade que também adoeceu mentalmente, como dissemos. Os psicólogos disponibilizaram suas consultas via on-line para ajudar a não disseminar o contágio do vírus. Assim, as pessoas poderiam ter acesso à ajuda médica, de qualquer lugar. 

A psiquiatria também foi, e continua sendo, uma profissão muito valorizada, especialmente nesses momentos de crises sanitárias generalizadas. 

Caso você tenha empatia, como soft skill , goste de ajudar as pessoas e se interesse por esse lado da medicina, saiba que este é o momento de investir nessa profissão. E a UNIFASE está aqui para te auxiliar nesse processo, com um dos melhores cursos de saúde mental disponível!

6. Medicina, fisioterapia e enfermagem

Como você percebeu, a Saúde em geral ganhou destaque de preocupação na sociedade. Durante esse episódio, tão denso e longo, percebemos o quão importante é termos profissionais da saúde que amam o que fazem. Afinal, diante desse momento de crise, eles se prontificaram a tomar frente dessa luta pela sociedade. 

O atendimento à saúde é primordial para que a população avance com qualidade para um futuro mais realizado. Portanto, as profissionais da Saúde mais procuradas foram, e são, as de Medicina em geral, Enfermagem e Fisioterapia. 

Para você adquirir todos os aprendizados necessários e construir um caráter profissional que possa ajudar a sociedade, conte conosco também. O nosso curso de medicina e enfermagem valem toda a sua dedicação!

7. Recursos humanos 

Para fechar a nossa lista de profissões em alta, nesse período de pós-pandemia, a área de Recursos Humanos (RH) também ganhou ênfase. Afinal, em momentos de crise pôde-se perceber o agir mais direto dessa equipe que trabalhou arduamente para que empresas não chegassem ao fundo do poço. 

Através do RH, as equipes são divididas mas também integradas como um todo. Os colaboradores compartilham de um sentimento de pertencimento naquele ambiente profissional. As expectativas são alinhadas e assim, todos caminham juntos em prol de um objetivo em comum: o sucesso do cliente e, consequentemente, da empresa! 

O RH é como se fosse a peça que liga todas as equipes e faz com que a empresa caminhe na direção certa! E se você sentir atração por essa área, nós podemos te ajudar. Com muita dedicação e persistência, você pode fazer parte da história de múltiplas pessoas! 

Agora é com você! 

Como você pôde ler até aqui, existem profissões em alta que estão sendo melhor valorizadas, devido a vários fatores e um deles foi a pandemia da Covid-19. Toda a área tecnológica, ligada à internet e à necessidade de ganhar visibilidade on-line cresceu muito neste período, assim como todas as áreas relacionadas à Saúde. 

A preocupação com o bem-estar e com a qualidade de vida aumentou durante essa fase crítica que o mundo passou e por isso que a procura por esses profissionais capacitados cresceu claramente. 

Além de ter esse olhar crítico sobre as mudanças que o mercado de trabalho enfrenta, é primordial que você goste do que você faça e tenha prazer nas suas atividades profissionais. Afinal, você passará grande parte da sua rotina no trabalho. 

Se você não está satisfeito com a sua área de atuação, não há um motivo plausível para você permanecer como está. Nesta lista, trouxemos algumas sugestões de profissões em alta que você pode se inspirar, se dedicar, empenhar e ser um novo, ótimo, profissional. E nós podemos te ajudar nesse processo! Para mais informações, entre em contato conosco

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.