Alunos da UNIFASE desenvolvem aplicativo para prevenção de desastres geohidrológicos em Petrópolis

25 de junho de 2025
Alunos da UNIFASE desenvolvem aplicativo para prevenção de desastres geohidrológicos em Petrópolis

Projeto do curso de Administração desenvolveu o aplicativo PetroAlerta, que integra comunidade, autoridades e tecnologia para tornar a cidade mais segura

A proposta é ambiciosa e extremamente relevante: criar uma ferramenta de comunicação em tempo real entre a Defesa Civil e a população petropolitana, promovendo maior agilidade em situações de risco, além de facilitar o envio de alertas, orientações e dados relevantes sobre áreas afetadas por chuvas intensas, deslizamentos ou inundações. A iniciativa é o aplicativo PetroAlerta, o protótipo foi desenvolvido no projeto de extensão pelos alunos do 3º período do curso de Administração da UNIFASE.

 
O PetroAlerta é fruto do trabalho dos alunos Guilherme Souza, Felipe Carneiro, Arthur Franco e Marcelo Barbosa, todos do grupo Gestão de Negócios III (GNIII). O projeto nasceu ainda no primeiro período da graduação e tem previsão de continuidade até o quinto.


“A ideia do PetroAlerta nasceu a partir da observação da alta vulnerabilidade da cidade de Petrópolis frente aos desastres naturais, especialmente enchentes e deslizamentos, que historicamente causam grandes prejuízos à população. Diante da recorrência desses eventos e da necessidade de uma comunicação mais eficaz com os moradores, nosso grupo identificou a oportunidade de desenvolver um aplicativo capaz de conectar diretamente a Defesa Civil com a população, oferecendo alertas rápidos, informações confiáveis e fortalecendo a cultura da prevenção”, explicou Guilherme, estudante do 3° período de administração da UNIFASE.


Com o intuito de integrar saber acadêmico, comunidade e poder público, o projeto faz com que os alunos consigam colocar em prática o que foi aprendido em sala de aula. Pensando nisso, foi promovido um seminário intitulado "Inovação Tecnológica na Prevenção de Desastres", que reuniu aproximadamente 40 participantes, entre eles lideranças comunitárias da Rede NUDEC (Núcleos Comunitários de Defesa Civil), representantes da Defesa Civil de Petrópolis, professores da instituição e estudantes. O objetivo do encontro foi compartilhar experiências, validar o projeto e traçar estratégias conjuntas para que o aplicativo atenda às reais necessidades das comunidades vulneráveis da cidade.


“O evento foi extremamente rico, tivemos a participação ativa dessas lideranças, que são as vozes de diferentes comunidades da cidade, e que levantaram a bandeira da prevenção, dialogando com os alunos e com a equipe técnica. Os estudantes, que estão no terceiro período, apresentaram o protótipo do aplicativo e tiveram a oportunidade de ouvir as reais necessidades da Defesa Civil, o que trouxe ainda mais alinhamento e propósito para o desenvolvimento do projeto. Agora, eles têm mais dois períodos pela frente para aperfeiçoar a ferramenta com base nesse feedback tão valioso. Foi uma experiência realmente especial, que uniu teoria, prática e engajamento social”, destacou a professora do curso de Administração da UNIFASE, Mônica Fontes.


A geóloga da Defesa Civil de Petrópolis, Caroline Dutra, que também coordena o Departamento de Projetos da instituição, esteve presente no Seminário e ressaltou a importância de unir os saberes técnico, acadêmico e popular para tornar esse aplicativo uma ferramenta eficaz. 


"Esse momento foi uma das melhores oportunidades que tivemos para promover uma troca real de saberes. Não adianta desenvolver um aplicativo que não considere a realidade de quem mais vai utilizá-lo. Durante o encontro, as lideranças presentes puderam compartilhar suas percepções, apontando o que funcionaria ou não na prática. A defesa civil também contribuiu com posicionamentos importantes, apresentando protocolos, limitações e pontos de atenção. Essa escuta qualificada permitiu ajustar o desenvolvimento do aplicativo para que ele reflita, de fato, as necessidades do território. Foi uma experiência extremamente rica de diálogo entre diferentes órgãos, instituições e a sociedade”, destacou Caroline.


De acordo com Guilherme, após a apresentação da versão inicial do aplicativo eles ouviram contribuições valiosas.
“Os feedbacks foram muitos e extremamente valiosos. Algumas das sugestões mais relevantes incluíram a necessidade de tornar as notificações mais claras e visuais, adicionar alertas sonoros para situações de emergência e garantir o funcionamento do aplicativo mesmo em locais com baixa conectividade. Também foi reforçada a importância de uma interface acessível e intuitiva, adaptada para públicos com diferentes níveis de escolaridade e acesso à tecnologia. Esses retornos nos ajudaram a repensar aspectos técnicos e estratégicos do projeto”, salientou ele.

 
A próxima fase do projeto será voltada ao aprimoramento do protótipo com base nas sugestões recebidas, buscando entregar, ao final do quinto período, um aplicativo robusto, validado por especialistas e alinhado às necessidades da população. Uma nova reunião será realizada para planejar a continuidade do desenvolvimento do PetroAlerta.


"Vivenciar esse retorno dos alunos é uma alegria imensa. A extensão é algo que me faz vibrar! Todo esse processo de transformar teoria em resultados concretos para a sociedade é muito gratificante. Seja no campo social, ambiental, empresarial ou mesmo em parcerias com o poder público”, finalizou a professora Mônica.

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.