Educação e Cultura de Petrópolis: excelência e muita história para contar

8 de setembro de 2022
Educação e Cultura de Petrópolis: excelência e muita história para contar
Catedral de São Pedro de Alcântara - Petrópolis
Catedral de São Pedro de Alcântara – Petrópolis

Toda a história, beleza, charme, educação e cultura de Petrópolis, fazem desta Cidade Imperial uma das cidades turísticas mais lindas e importantes do Estado do Rio de Janeiro .

Uma cidade segura e calma, que se destaca também por ser um dos pólos universitários da região serrana do estado.. 

Fundada em 1845 pelo Imperador D.Pedro II , Petrópolis guarda registros e um complexo arquitetônico preservado.  Entre paisagens naturais deslumbrantes e memoráveis histórias, ela é fundamentalmente importante para a história, a educação e a cultura do país. 

Confira neste artigo toda a importância da história e cultura de Petrópolis no cenário nacional.

Onde fica Petrópolis?

Dona de uma  natureza exuberante, Petrópolis está localizada na região metropolitana do Rio de Janeiro, a aproximadamente 65 km da capital.

Aninhada na Serra dos Órgãos, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) , no vale dos rios Piabanha e Quitandinha, ela é cercada pelos municípios de Teresópolis , Duque de Caxias, Magé, São José do Rio Preto, Guapimirim, Areal e Três Rios. 

Situado às margens da rodovia BR 040, que liga o Rio de Janeiro ao Distrito Federal, passando por Juiz de Fora e Belo Horizonte, o município conta com uma ótima malha viária, o que o torna bastante acessível e com uma localização logística excepcional.

Por que Petrópolis é tão importante para a educação e a Cultura?

Toda a cidade transpira educação e cultura! Entre diversas universidades, museus , bibliotecas, catedrais, prédios históricos e espaços culturais, ela mantém viva memórias importantes do Brasil.

A importância da história e cultura de Petrópolis começa por seu nome. Do latim “ Petrus ” (Pedro) e “ Polis ” (cidade), a Cidade de Pedro é uma homenagem ao imperador Dom Pedro II, cuja iniciativa deu origem ao planejamento e construção do município.

Ela  é conhecida também como Cidade Imperial, por ter sido o refúgio de verão da família imperial entre os anos 1820 e 1840.

Petrópolis se destaca também como pioneira em grandes acontecimentos que contribuíram para o crescimento do país, sendo alguns deles:

    • A União Indústria, a 1 a estrada pavimentada do país , foi construída por D. Pedro II, em 23 de junho de 1861, ligando o Rio à Juiz de Fora.
    • Construiu a primeira estrada de ferro do país, em 1854, pelas mãos do Visconde de Mauá.
    • A Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Leiden & Cia, foi a 1 a fábrica cervejeira do país. Inaugurada em 1853, é, atualmente, a cervejaria Bohemia.

 

  • O Palácio de Cristal, a 1ª construção pré-fabricada do Brasil, foi inaugurado em 1884 e palco da grande festa de libertação dos últimos africanos escravizados de Petrópolis.

 

  • De 1894 a 1903, o Ministério das Relações Exteriores estava instalado em Petrópolis, onde foram assinados importantes documentos, como o Tratado de Petrópolis, que anexou o Acre à Federação.
  • A 1ª exibição de filmes brasileiros aconteceu em 1º de maio de 1897, onde atualmente é o Edifício Profissional.
  • A 1ª transmissão de rádio do Brasil aconteceu em Petrópolis, em setembro de 1922.
  • Recebeu a linha telefônica interurbana do Brasil, ligando a cidade à capital do Rio.

A cidade conta com diversos museus, espaços culturais e universidades que confirmam a importância da educação e da cultura de Petrópolis. Confira.

Principais museus e institutos culturais em Petrópolis

A Encantada - Casa de Santos Dumont - Petrópolis
A Encantada – Casa de Santos Dumont – Petrópolis

Museu Imperial

Ao chegar no Museu Imperial você será envolvido pela beleza de seus grandes jardins e pela importância de seu caráter histórico. Durante o tour, você verá toda a mobília, cristais, louças e talheres usados pela monarquia .  

O ponto alto da visita é a coroa usada por D. Pedro II, composta por 639 brilhantes e 77 pérolas, e o cetro de ouro criado para sua coroação em 1822. O museu oferece também duas atividades imperdíveis: o chá completo oferecido no restaurante Petit Palais e o espetáculo de Som e Luz nas noites de quinta a sábado. 

Fórum Itaboraí 

O Fórum Itaboraí, ou Palácio Itaboraí , foi construído em 1892. É uma edificação lindamente ornamentada no estilo clássico e cercada por um lindo jardim inglês, no estilo romântico e erudito. O palácio foi tombado pelo Iphan – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pela Prefeitura de Petrópolis em 1982 e abriga atualmente a Fundação Oswaldo Cruz .

Instituto Municipal de Cultura 

O Instituto Municipal de Cultura (IMC) , é responsável por contar e preservar a história e a cultura de Petrópolis. Ele fica no Centro de Cultura Raul de Leoni , que abriga galerias de arte, teatro, cinema e a 3ª mais importante biblioteca do estado, a  Biblioteca Central Municipal Gabriela Mistral .

O IMC oferece serviços como o disque turismo , onde é possível obter informações sobre pontos turísticos, serviços, pousadas, hotéis, passeios, restaurantes, eventos e ecoturismo.

Casa de Rui Barbosa 

A antiga residência do famoso jurista e diplomata é, atualmente, uma propriedade particular e, por isso, ela não está aberta a visitações. No entanto, sua existência e uma apreciação de sua área externa e arquitetura, confirmam a importância da história e cultura de Petrópolis.

A Encantada

A antiga residência de Santos Dumont , o Pai da Aviação ,  fica no centro de Petrópolis e recebe o nome de “ A Encantada” por ter sido construída na Rua do Encanto. A engenhosidade do inventor do avião é vista em cada detalhe da casa.

A Encantada é uma edificação única, com três andares e um terraço, construída em um terreno pequeno e íngreme. A escada é uma curiosidade à parte. Em função do pouco espaço, ela possui degraus recortados que facilitam os movimentos de subida e descida e evitam tropeços. 

A Educação e Cultura de Petrópolis está presente em cada obra de seu reconhecido projeto arquitetônico, nas suas instituições culturais e educacionais espalhadas por toda a cidade.

Polo estudantil de Petrópolis: fundamental para a educação do país.

Petrópolis conta com algumas das melhores universidades e ofertas de cursos do país. 

Universidade Católica de Petrópolis

A Universidade Católica de Petrópolis foi a primeira instituição de ensino superior do município. Fundada em maio de 1953, a UCP, com seus mais de 60 anos de história, é uma das instituições  mais importantes da região e já formou mais de 25 mil profissionais para atuarem em diversas áreas

Atualmente, ela oferece 31 cursos de graduação, pós-graduação, mestrados e doutorados.

UFF – Universidade Federal Fluminense

A UFF foi criada em 1960 e tinha inicialmente o nome de Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Hoje ela é referência nacional em diversas áreas do conhecimento. São mais de 57.000 alunos e mais de 7.500 servidores atuando em suas 45 unidades de ensino.

A Escola de Engenharia de Petrópolis abriga o curso de Engenharia de Produção na modalidade bacharelado, presencial e em período integral 

UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro

A história da UERJ, conhecida inicialmente por Universidade do Distrito Federal (UDF) , começou em 4 de dezembro de 1950. Com seus setenta anos de existência, a universidade cresceu em importância, estrutura e tamanho e atualmente possui vários campis e unidades externas em diversos locais do estado. 

No campus de Petrópolis , é oferecido o curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da ESDI/UERJ, cujo caráter multi e transdisciplinar forma profissionais altamente capacitados para atender às diferentes necessidades de público e cenários. 

UNIFASE/FMP

A UNIFASE/FMP que conhecemos hoje é a união de duas grandes instituições: a Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP) , criada em  31 de outubro de 1967, e a Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FASE) , em 1988.

Por suas propostas pedagógicas modernas e inovadoras, por seu corpo docente altamente qualificado e pela excelente infraestrutura de seu campus e de seus recursos, ela é reconhecida como uma das melhores universidades do país. 

Atualmente, oferece os cursos de:

  • Enfermagem (Bacharelado e Licenciatura)
  • Medicina,
  • Odontologia,
  • Nutrição
  • Psicologia,
  • Administração

Além dos cursos tecnólogos em Gestão de Recursos Humanos, Gestão Pública, Radiologia, pós-graduações e cursos de extensão.

A UNIFASE/FMP se destaca também pelo compromisso com a população e com o Sistema Único de Saúde , prestando serviços totalmente gratuitos através de várias unidades de atendimento integradas à rede pública de saúde.

Petrópolis e UNIFASE: uma escolha inteligente!

Campús da Unifase - Petrópolis
Campús da Unifase – Petrópolis

Petrópolis é apaixonante, seja por sua beleza e charme ou por toda sua potência histórica, cultural e educacional. Para que ela fique ainda melhor, conte com a tradição e a qualidade da UNIFASE em seu desenvolvimento.

Nós te convidamos a investir nesta “dobradinha” perfeita! Conheça a educação e cultura de Petrópolis e venha estudar na UNIFASE ! Aguardamos você!

Unifase. A sua faculdade em Petrópolis 

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.