Guia prático do Vestibular de Medicina 2023 da FMP

30 de agosto de 2022
Guia prático do Vestibular de Medicina 2023 da FMP
Graduanda em Medicina
Vestibular de medicina – FMP

O Guia Prático do Vestibular de Medicina 2023 da Faculdade de Medicina de Petrópolis  foi criado para você conhecer melhor as formas de ingresso do curso e da instituição. 

Aqui você vai encontrar informações sobre como funciona o vestibular, as formas de ingresso, toda estrutura que temos e os programas que poderá participar como acadêmico de Medicina da FMP .

Tradição e história

O curso de Medicina da FMP soma 55 anos de tradição. Tudo começou quando o Reitor Arthur de Sá Earp Neto acompanhado de um grupo de médicos formou a Fundação Octacílio Gualberto (FOG). Desde o início o interesse era criar o que futuramente viria ser a Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP) .

Apenas no dia 31 de outubro de 1967 que esse desejo se concretizou, e as práticas de medicina de fato começaram. Alguns anos depois, Neto e seus colegas que até então só tinham um sonho viram ele se concretizar, com acadêmicos se tornando médicos. 

O sucesso foi tanto que em 1998 a FOG expandiu, lançando a Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FASE) . A partir desse momento, elas se tornaram uma única instituição de ensino. 

Mais novidades surgiram em 2020. Essa época foi marcada pelo surgimento e a propagação de uma doença infectocontagiosa nomeada por SARS-CoV-2, popularmente conhecida como novo coronavírus.

Ao mesmo tempo em que isso acontecia, a instituição passava pelo processo de se tornar um Centro Universitário, foi então que se viu a oportunidade de renomeá-la para Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto – UNIFASE.

Desde quando surgiu, o nome da Faculdade de Medicina de Petrópolis compõe o diploma de muitos profissionais.

O vestibular de Medicina 2023 da FMP

O Vestibular de Medicina 2023 da FMP está oferecendo 150 (cento e cinquenta) vagas para o curso de Medicina com validade, somente, para o ANO LETIVO DE 2023. 

Desse total de vagas, 75 (setenta e cinco) serão para o 1º semestre e as outras 75 (setenta e cinco) serão para o 2º semestre.  

Do total de 75 (setenta e cinco) vagas, de cada semestre, 38 (trinta e oito) serão reservadas para preenchimento por meio das Provas Objetiva, Discursiva e de Redação e 37 (trinta e sete) vagas para preenchimento através dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM dos anos 2020 ou 2021, em cada semestre.

Como se inscrever no vestibular de Medicina 2023?

As inscrições para o Vestibular de Medicina 2023 devem ser realizadas no ambiente on-line da instituição, na página institucional clicando aqui , do dia 18/08 a 23/09/2022.

Ao acessar o site, você encontrará o “Requerimento de Inscrição” . Ele precisa ser preenchido juntamente com as demais informações pessoais solicitadas. 

Qual o valor da inscrição?

A taxa de inscrição do vestibular de Medicina 2023  é de R$380,00. Caso o pagamento não seja realizado até a data de vencimento, ela é cancelada automaticamente.

A prova

O processo de seleção da FMP é realizado pela Fundação Cesgranrio e tem como foco estudantes que tenham terminado o Ensino Médio ou equivalente, e conta com algumas provas de conhecimentos gerais. 

As questões são divididas pelas disciplinas existentes no Ensino Médio: Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Física, Química, Biologia e Redação.

As perguntas de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Espanhola ou Inglesa; Biologia; Química; Física; Matemática; Geografia; História são objetivas .

Já as disciplinas de Biologia e Química têm questões discursivas.

Vale lembrar que serão eliminados deste Concurso Vestibular Isolado os candidatos que: 

  1. a) FALTAREM às provas; 
  2. b) Obtiverem ZERO na Redação; 
  3. c) Obtiverem ZERO na Prova Discursiva (Biologia/Química); 
  4. d) Obtiverem ZERO na soma do número de pontos nas Provas Objetivas.

A redação

A prova de Redação constará de uma proposta de:

  • Produção de texto em prosa, 
  • em modalidade e limites solicitados, 
  • acerca de tema escolhido a critério da Banca Examinadora. 

Na Redação, será avaliada a capacidade de o candidato construir um texto dissertativo-argumentativo que mostre coerência e reflexão crítica, além do domínio da norma padrão da língua portuguesa. 

Data e local de prova

A prova presencial será realizada no dia 16 de outubro de 2022, domingo, em endereço a ser confirmado pelo cartão de confirmação de inscrição. 

As Provas Objetivas , Discursiva e de Redação terão, ao todo, duração de 4 (quatro) horas e 30 (trinta) minutos .

O local da prova estará definido em seu Cartão de Confirmação de Inscrição ou informado, através da internet, no site da FUNDAÇÃO CESGRANRIO

Cartão de Confirmação de Inscrição

CARTÃO DE CONFIRMAÇÃO DE INSCRIÇÃO, contendo os principais dados dos mesmos, será disponibilizado somente pela internet, no site da FUNDAÇÃO CESGRANRIO para impressão no dia 11/10/2022, a partir das 10 horas.

O CANCELAMENTO da inscrição e a consequente ELIMINAÇÃO do presente Concurso Vestibular isolado ocorrerá caso a não integralização dos procedimentos de inscrição, que envolvem o preenchimento correto do Requerimento de Inscrição próprio e o envio através da internet, a impressão do boleto bancário e o pagamento da inscrição nas agências bancárias autorizadas, a impressão e conferência do Cartão de Confirmação de Inscrição, disponível no site da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, a partir do dia 11/10/2022.

O resultado

O resultado do vestibular de Medicina 2023 estará disponível somente via internet, através do site da FUNDAÇÃO CESGRANRIO (www.cesgranrio.org.br), no dia 13 de dezembro, a partir das 10h.

A matrícula

  • Nos dias 14, 15 e 16/12/2022 estará aberto o período de matrículas referentes à 1ª convocação – diretamente na FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS – FMP 
  • Nos dias 09 e 10/01/2023 Matrículas referentes à 2ª Convocação (1ª Reclassificação) do CONCURSO VESTIBULAR ISOLADO DA FMP – ANO LETIVO DE 2023 – diretamente na FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS – FMP , na  Secretaria do Campus Barão do Rio Branco, 1003, Centro, Petrópolis/RJ, no horário das 8h30 às 17h30.

Importante : Se o candidato classificado não respeitar os horários e datas, isso implicará na perda da vaga.

Vantagens de estudar na FMP 

A Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP) tem 56 anos de tradição, e ao longo deste tempo, já formou pessoas de todas as regiões do Brasil. 

Além de sua bagagem histórica, a instituição soma várias indicações e premiações na área da saúde, que só confirmam o compromisso da FMP de desenvolver profissionais de excelência.

Estudar na FMP também significa ter uma formação que vai além da sala de aula, pois a instituição sempre promove seminários, palestras, cursos de extensão e outras práticas que vão permitir com que o acadêmico esteja emergido ao que há de mais novo no mercado. 

Procedimentos inovadores, ferramentas de ponta, estudo para curar ou prevenir doenças que até hoje se encontram sem tratamento, fazem parte do ecossistema de estudo da FMP. 

Ora, além de ter contato com as práticas que todo médico generalista deve dominar, o aluno ainda sai preparado e a par do que está acontecendo de mais novo no mundo da ciência humana.

Instalação e infraestrutura

A FMP é referência no Brasil e parte disso se dá às instalações destinadas para o desenvolvimento de atividades de ensino teóricas e práticas, estágios supervisionados e treinamentos. Na Faculdade de Medicina de Petrópolis você encontra:

  • Ambulatório Escola – AMBE;
  • Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias – DIP;
  • Unidades de Saúde da Família – PSF;
  • Instituto Anatômico Prof. Antônio de Souza Queiroz;
  • Laboratório de Histologia e Patologia;
  • Laboratório de Microbiologia, Parasitologia e Imunologia Básica;
  • Complexo de Radiologia;
  • Centro de Simulação Realística.

Representações estudantis

A FMP ainda conta com representações estudantis que buscam tornar a experiência acadêmica ainda mais significativa.

  • Associação Atlética de Medicina;
  • Associação Atlética Fase Petrópolis;
  • Representantes de turma;
  • Ligas Acadêmicas.

Unifase das profissões

O Unifase das Profissões é um evento que acontece todo ano e tem como foco estudantes do Ensino Médio que querem adentrar no ensino superior. 

Nele, acadêmicos e professores de todos os cursos da Unifase se reúnem para esclarecer dúvidas de alunos que ainda não sabem ao certo que curso de graduação fazer.

A ideia é que neste evento esses alunos conheçam opções de carreira dos cursos e tirem suas dúvidas para que, assim, consiga ter maior clareza de qual escolha profissional optar.

Além disso, o Unifase das Profissões busca inserir os estudantes no contexto da vida universitária, compartilhando as demais oportunidades que a vida universitária pode proporcionar para ele.

O que a Faculdade de Medicina de Petrópolis oferece?

A FMP tem como pilar preparar o acadêmico para as necessidades do mercado , portanto tudo o que ela oferece está voltado para isso.

Equipamentos modernos

As instalações dedicadas para os estudantes do curso de Medicina, como os consultórios, as salas de pequenas cirurgias e ambientes para exames são todas equipadas com tecnologias de última geração.

Centro de referência na saúde pública de Petrópolis

Ao se formar na FMC, o estudante de medicina garante no seu currículo a experiência de atuar em um dos maiores centros médicos de referência no atendimento à população da cidade. Esse centro se destaca, principalmente, na área de curativos e glaucoma. 

Integração com demais áreas da saúde

Na Faculdade de Medicina de Petrópolis é possível integrar o curso de Medicina com demais cursos da área da saúde, Nutrição, Enfermagem, Radiologia, Psicologia e Odontologia, permitindo que a experiência da sala de aula seja similar à de um centro médico.

Supervisão de professores altamente qualificados

O corpo docente do curso de Medicina é composto por mais de 80% de mestres e doutores e todos têm larga experiência no seu ramo de atuação. 

Além disso, eles estão familiarizados com a prática do ensinar, trabalham com diferentes metodologias e ferramentas para que o processo de ensino-aprendizagem seja o mais facilitador possível.

Inclusive fazem o acompanhamento de perto do aprendizado no Ambulatório Escola, e estão sempre disponíveis nos canais de relacionamento professor/aluno.

Prontuário eletrônico para pacientes

O sistema integrado da faculdade permite com que as informações e o histórico dos pacientes estejam de fácil acesso para os acadêmicos, docentes e funcionários.

Por que optar pela FMP?

A FMP oferece uma experiência acadêmica única , que é toda pensada na construção de carreira do estudante, pois ela entende que a graduação é apenas uma etapa para o desenvolvimento de um profissional de sucesso.

Na instituição de ensino superior FMP você está o tempo todo em contato com pessoas importantes do mundo da ciência humana, além disso, pode estar o tempo todo envolvido com pesquisas científicas de grande porte, que são portas de entrada para descobertas importantes deste âmbito.

A própria estrutura é pensada e projetada para que o acadêmico possa viver os melhores anos da sua vida. Petrópolis é considerada um dos pólos universitários da Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.

O campus está em uma região onde há grande vegetação, sendo um ambiente com muito silêncio, ideal para os estudos.

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.