Efeitos das mudanças climáticas na saúde: profissionais do Centro de Inteligência Epidemiológica do Rio de Janeiro revelam como as ondas de calor podem levar a óbito

17 de novembro de 2025
Efeitos das mudanças climáticas na saúde: profissionais do Centro de Inteligência Epidemiológica do Rio de Janeiro revelam como as ondas de calor podem levar a óbito

Além de causar estresse térmico, o calor também pode piorar condições de saúde preexistentes 

O mês de novembro está sendo marcado pela realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) no Brasil, na qual líderes mundiais, a comunidade científica, organizações não governamentais e a sociedade civil estão discutindo ações de combate às mudanças climáticas.


Os eventos climáticos decorrentes dessas mudanças, como as ondas de calor, têm um impacto significativo na saúde da população. É nesse sentido que a UNIFASE/FMP promoveu a mesa-redonda "Mudanças climáticas, desenvolvimento urbano e impactos na saúde: uma análise à luz da epidemiologia", tendo como convidados, o geógrafo Felipe Vommaro e o epidemiologista João Henrique Morais, que atuam no Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) do Rio de Janeiro. 


"As emergências climáticas têm sido cada vez mais frequentes e sabendo que as ondas de calor podem aumentar o número de mortes, é fundamental que os estudantes sejam instrumentalizados com essas informações para que, em breve, em suas práticas, eles possam garantir uma assistência de qualidade à população", explica o enfermeiro sanitarista Norhan Sumar, professor de "Epidemiologia e Saúde e Sociedade" no curso de Medicina e coordenador do programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica da UNIFASE/FMP. 


O evento foi direcionado a estudantes do 3º período de Medicina, do programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica e do programa de Residência em Medicina da Família e Comunidade. "O objetivo da formação não é o profissional que esteja com o olhar limitado para a biologia do corpo humano, mas também para o processo saúde-doença de uma maneira mais ampliada, com um olhar mais humanístico, entendendo que a maneira como as pessoas vivem influencia no seu processo de adoecimento, tratamento e cura", completa o professor Norhan. 


O geógrafo Felipe Vommaro apresentou um panorama da saúde urbana como reflexo direto das desigualdades socioambientais e da exposição a vários riscos, como violência, poluição, insegurança alimentar e vulnerabilidade climática. A ocorrência de chuvas intensas e calor extremo criam condições favoráveis à proliferação de vetores e doenças transmissíveis, como ocorreu em Petrópolis após a tragédia de 2022, com um aumento significativo dos casos de leptospirose na cidade. 


A mudança climática também apresenta um desafio demográfico e territorial. "Em Petrópolis, por exemplo, há áreas com risco de deslizamentos, áreas de encosta, o que leva a questões como para onde a cidade pode crescer e como lidar com o crescente aparecimento de eventos extremos climáticos", destaca o geógrafo da equipe de análises do CIE.

Contudo, um dado que chama a atenção é que de 2000 a 2018, o calor matou mais que deslizamentos de terra no Brasil, segundo um estudo publicado em 2024 no periódico científico Plos One, que envolveu pesquisadores de instituições portuguesas e brasileiras, como a Universidade de Lisboa e a Fiocruz. 


A resposta do corpo ao estresse térmico acontece principalmente de duas formas: pela transpiração e a vasodilatação. Três fatores principais regulam o sucesso desse processo, que é a capacidade termorregulatória do indivíduo, a exposição ao calor e o comportamento humano. "Em casos mais extremos, temos alguns sintomas específicos de efeitos do calor na saúde, como cãibras por calor, edema por calor, exaustão por calor e golpe de calor, que é uma emergência e precisa de rápido atendimento. Existe uma letalidade muita alta nesse ponto, que é quando a temperatura interna dos órgãos ultrapassa 40ºC e não consegue esfriar", aponta o epidemiologista João Morais. 



Além disso, muitos óbitos durante as ondas de calor estão relacionados à piora de condições de saúde preexistentes. "Os efeitos de calor afetam várias condições de saúde, algumas que a gente nem faz uma relação direta, como doenças circulatórias, respiratórias, renais, endócrinas, neurológicas, a saúde mental pessoas, até desfechos adversos durante a gravidez, como prematuridade", completa. 


Rio de Janeiro cria Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo para alertar a população 


O Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) do Rio de Janeiro foi criado pela necessidade de integrar dados e tecnologia com aplicação prática para a saúde pública. "Antes da criação do Centro, havia uma dificuldade para integrar as múltiplas bases de dados que temos, então o CIE surgiu para fazer essa interoperabilidade. A integração de dados é fundamental para termos respostas mais rápidas para a tomada de decisão na saúde pública", analisa Felipe. 


Com os dados do CIE e outros órgãos, a cidade do Rio de Janeiro elaborou o Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, que foi um dos ganhadores do Local Leaders Awards 2025, prêmio concedido pela Bloomberg Philanthropies, em reconhecimento às políticas locais inovadoras de enfrentamento às mudanças climáticas. 


"É um orgulho ter uma política pública fomentada por evidência epidemiológica. O calor muitas vezes é subestimado, principalmente no Rio de Janeiro, onde há uma naturalização do calor. Calor extremo mata e mata silenciosamente, sem que a gente dê muita atenção a isso, por esse motivo trabalhamos na desmistificação de que seja algo natural. Recordes não só de calor têm sido batidos, mas também de mortalidade associada ao calor, por isso a importância desse trabalho e dessa divulgação", reforça o epidemiologista João Morais. 


Com o monitoramento dos níveis de calor, os órgãos conseguem tomar medidas para evitar que as pessoas fiquem expostas ao calor intenso por um longo período. "Temos medidas que vão desde a comunicação até ações mais efetivas de implementação, alteração e até suspensão de atividades. Quando atingimos os níveis mais críticos, temos a abertura de pontos de resfriamento, por exemplo, para que as pessoas tenham onde se refrescar e buscar apoio. É importante a conscientização das pessoas. Quando a gente anuncia um nível de calor alto, isso não é motivo de lazer ou de alegria, temos que ficar mais atentos e vigilantes para os riscos que isso pode nos causar, evitar nos expor e, se algo acontecer, saber o que fazer para evitar desfechos mais graves", conclui o epidemiologista.


Jornada da Virada Climática — 4ª edição já confirmada

O tema também dialoga com a Jornada da Virada Climática, projeto anual da UNIFASE/FMP que estimula a comunidade acadêmica a pensar soluções para os impactos das mudanças climáticas na saúde e no território. A iniciativa segue crescendo e retorna em sua 4ª edição, de 23 de fevereiro a 23 de março de 2026.


6 de julho de 2026
Entender o comportamento da polpa, interpretar corretamente os sinais clínicos e conhecer as recomendações mais atuais são fatores decisivos para o sucesso do tratamento em dentes decíduos Imagine a seguinte situação. Uma criança de cinco anos chega ao consultório com uma extensa lesão de cárie em um segundo molar decíduo. Após a remoção do tecido cariado, ocorre uma exposição pulpar. Nesse momento, surge uma das perguntas mais frequentes da prática clínica: Pulpotomia? Pulpectomia? Exodontia? Essa decisão, que muitas vezes precisa ser tomada em poucos minutos, pode determinar o sucesso — ou o insucesso — do tratamento. Durante muitos anos, a escolha da terapia esteve fortemente baseada na experiência clínica individual. Hoje, entretanto, sabemos que decisões mais previsíveis dependem da integração entre diagnóstico criterioso, evidências científicas atualizadas e domínio técnico. Preservar dentes decíduos é preservar o desenvolvimento infantil O objetivo da terapia pulpar vai muito além de tratar uma polpa inflamada. Manter um dente decíduo saudável significa preservar funções fundamentais para o desenvolvimento da criança. Esses dentes mantêm o espaço para os sucessores permanentes, participam da mastigação, da fala, do desenvolvimento facial e influenciam diretamente a qualidade de vida infantil. Por isso, sempre que biologicamente possível, a conduta deve priorizar sua preservação até o momento natural da esfoliação. A terapia pulpar reúne diferentes procedimentos capazes de manter ou restabelecer a saúde pulpar, como o capeamento pulpar indireto, o capeamento pulpar direto, a pulpotomia, a pulpectomia e, mais recentemente, o tratamento endodôntico não instrumental (TENI), cuja indicação vem sendo amplamente discutida nas diretrizes mais atuais. Cada técnica possui indicações específicas e nenhuma delas deve ser escolhida apenas pela profundidade da cavidade ou pelo tamanho da exposição pulpar. O diagnóstico é a chave para uma boa decisão clínica Na prática clínica, o maior desafio raramente está na execução da técnica. O verdadeiro diferencial está na capacidade de interpretar corretamente os sinais clínicos e radiográficos para compreender o estado biológico da polpa. Dor espontânea, sangramento persistente, presença de fístula, mobilidade patológica, alterações periapicais e o padrão radiográfico são alguns dos fatores que precisam ser avaliados antes da definição do tratamento. Em outras palavras, o sucesso da terapia pulpar começa muito antes da utilização de qualquer instrumento ou material restaurador. As evidências científicas mudaram a forma de tratar dentes decíduos Nas últimas décadas, importantes avanços modificaram os protocolos para o tratamento pulpar em dentes decíduos. As recomendações da American Academy of Pediatric Dentistry (AAPD) passaram a priorizar tratamentos mais conservadores sempre que biologicamente possíveis, enquanto novas abordagens, como o tratamento endodôntico não instrumental (TENI), ampliaram as possibilidades terapêuticas em situações específicas. Além disso, materiais como MTA, Biodentine e cimentos biocerâmicos trouxeram novas perspectivas para o tratamento pulpar, ampliando a previsibilidade clínica quando corretamente indicados. Esses avanços demonstram que a atualização científica deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para os cirurgiões-dentistas que atendem pacientes infantis e desejam oferecer tratamentos modernos, seguros e baseados em evidências. Da teoria à tomada de decisão clínica Conhecer os protocolos é importante. Mas transformar conhecimento em segurança clínica exige prática. Discutir casos reais, interpretar exames radiográficos, compreender as indicações e os limites de cada técnica e executar os procedimentos em ambiente laboratorial permite ao cirurgião-dentista desenvolver um raciocínio clínico mais consistente e aplicável à rotina do consultório. Afinal, cada paciente apresenta características próprias, e nenhuma diretriz substitui o julgamento clínico de um profissional bem preparado. Atualização profissional baseada em evidências A evolução da Odontologia exige um processo permanente de atualização. Mais do que acompanhar novos materiais ou técnicas, o cirurgião-dentista precisa desenvolver segurança para tomar decisões clínicas cada vez mais conscientes, previsíveis e fundamentadas. É justamente para responder a essa necessidade que a UNIFASE oferece a Imersão em Terapia Pulpar em Dentes Decíduos, uma formação voltada para cirurgiões-dentistas, odontopediatras, clínicos gerais e profissionais que desejam aperfeiçoar sua tomada de decisão clínica e aprofundar seus conhecimentos sobre os protocolos mais atuais para o tratamento pulpar em dentes decíduos. O curso integra aulas teóricas fundamentadas nas evidências científicas mais recentes, discussão de casos clínicos, treinamento laboratorial e atendimento clínico supervisionado, proporcionando uma experiência de aprendizagem que conecta conhecimento científico, prática clínica e desenvolvimento profissional. Mais do que ensinar técnicas, a proposta é capacitar o profissional para tomar decisões clínicas seguras, conscientes e baseadas em ciência, oferecendo às crianças tratamentos cada vez mais conservadores, previsíveis e de maior qualidade. Se você busca uma atualização que une teoria, prática e evidências científicas para transformar sua atuação clínica, conheça a Imersão em Terapia Pulpar em Dentes Decíduos da UNIFASE e descubra como essa experiência pode contribuir para a sua formação profissional. Saiba mais sobre o curso: https://www.unifase-rj.edu.br/curso-atualizacao/imersao-em-terapia-pulpar-em-dentes-deciduos
3 de julho de 2026
Principal evento nacional sobre prevenção e posvenção do suicídio reunirá especialistas, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas entre os dias 5 e 8 de agosto
2 de julho de 2026
Como fazer o público jovem se interessar por política? Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelo microempreendedor individual para que seu negócio prospere? De que maneira os retalhos descartados pela indústria têxtil podem ser reutilizados de forma empreendedora e sustentável? Essas perguntas orientaram os projetos desenvolvidos por estudantes do segundo período do curso de Administração da UNIFASE durante as atividades de curricularização da extensão,modelo que prevê que, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação seja dedicada a atividades desenvolvidas em interação com a sociedade. Por meio dessa proposta , os estudantes investigam demandas reais da comunidade e desenvolvem soluções que unem gestão, cidadania, empreendedorismo e sustentabilidade desde os primeiros períodos da graduação.  "O grande papel da Extensão no curso de Administração é humanizar a gestão. Através desses projetos, os alunos vão a campo para entender outras realidades e interagir com outros conhecimentos além dos adquiridos em sala de aula. Tudo isso contribui para que ele se torne um profissional integral, mais bem capacitado para o mercado de trabalho, que entende a responsabilidade social necessária para gerir negócios, pessoas e capital", analisa a professora Luciene Baptista, docente do curso de Administração da UNIFASE. Com um olhar atento para questões atuais da sociedade, os alunos pensaram em propostas que tenham impacto social na tomada de decisão, gestão de negócios, cidadania, empreendedorismo e sustentabilidade. A partir da percepção de que os jovens estão cada vez mais desconectados de assuntos relacionados à política, um dos grupos desenvolveu o projeto "Democracia em Pixel", que visa abordar conceitos complexos das Ciências Sociais em vídeos dinâmicos para o público de 16 a 24 anos, utilizando uma linguagem imparcial e adaptada à Geração Z. "Queremos falar sobre o poder do voto e a importância de desenvolver uma consciência política, focando no exercício da cidadania. Nosso primeiro vídeo foi sobre o 'efeito manada', que foi exibido para alunos do segundo ano do ensino médio do colégio Pensi. Em seguida, fizemos uma dinâmica com jujubas relacionada ao tema, para traduzir o conceito de uma maneira tangível e engajadora, e foi um sucesso! Agora queremos expandir o projeto para mais escolas", comenta Elian Venancio, aluno do segundo período do curso de Administração da UNIFASE. Ainda com foco na criação de vídeos informativos para as redes sociais, o segundo grupo criou o projeto "SIGA - Suporte com Informação de Gestão Agilizada", tendo como tema a educação empresarial para microempreendedores individuais (MEI). Com dados fornecidos pelo Sebrae, os alunos identificaram os principais obstáculos para o sucesso de pequenos negócios, que muitas vezes encerram suas atividades logo nos primeiros anos. "Nossa proposta é fornecer informações para microempreendedores com dificuldades para administrar seu próprio negócio, por meio de vídeos com linguagem acessível e didática. Inicialmente escolhemos temas pertinentes como fluxo de caixa, formação de preço e separação da conta jurídica da conta física, que são etapas essenciais na gestão de empreendimentos", explica a estudante Natalia Lima. O terceiro grupo, por sua vez, teve como base a economia circular, com a proposta de reutilização de retalhos da indústria têxtil para a produção de peças artesanais, a serem confeccionadas por mulheres de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social em Petrópolis. "Com o apoio da UNIFASE, conseguimos uniformes de funcionários da instituição que seriam descartados e através de uma parceria com o Inova Petrópolis Moda e um projeto social, eles foram transformados em novos produtos, como mochilas e estojos. Conseguimos aliar a sustentabilidade ao desenvolvimento de pequenos negócios, que podem se tornar uma fonte de renda para mulheres em vulnerabilidade", destaca a aluna Maria Eduarda Lago, que integra o grupo do projeto "Retalhos, Economia Circular". Os trabalhos, que seguirão em aperfeiçoamento ao longo da graduação - até o 4º período, foram avaliados pelos professores Gladistone Afonso, Mônica Fontes, Rodrigo Lopes, Thais Martins e Luciene Baptista, docentes do curso de Administração da UNIFASE.