Graduação de Psicologia ou Gestão de RH – Qual escolher?

3 de novembro de 2021
Graduação de Psicologia ou Gestão de RH – Qual escolher?

S e você está diante desta dúvida, não se preocupe! Para quem gosta e pensa em trabalhar com pessoas, principalmente em contextos corporativos ou profissionais, a graduação de psicologia e gestão de RH são duas boas opções.

Apesar de serem graduações com grades curriculares e opções de mercado diferentes, elas possuem aplicações comuns em alguns pontos e complementares em outros. Por isso, a resposta pode não ser tão óbvia em um primeiro momento. Assim, a solução é buscar informações consistentes, que esclareçam dúvidas e permitam um melhor direcionamento.

A seguir, confira um pouco mais sobre cada um deles. Aproveite!

Como funciona cada curso?

As primeiras informações que você precisa saber são sobre os cursos em si. Duração, disciplinas, modalidades de ensino, se é um bacharelado, uma licenciatura ou um tecnólogo. Com isso, já é possível ter um primeiro nível de informações importantes para a escolha de sua graduação

Vamos começar pelo curso de psicologia .

A graduação de psicologia

A graduação de psicologia existe nos formatos bacharelado ou licenciatura, têm duração média de cinco anos e as aulas são presenciais, podendo haver também algumas disciplinas na modalidade e-learning. 

A graduação em psicologia aborda conceitos fundamentais das ciências humanas e sua aplicação no dia a dia das pessoas, seja em ambientes sociais, familiares ou organizacionais. Seu objetivo é desenvolver profissionais capazes de fazer análises e intervenções que proporcionem saúde mental e, consequentemente, o bem estar das pessoas.

Ao final do curso, o psicólogo deverá estar apto a diagnosticar e auxiliar na prevenção e tratamento de distúrbios de personalidade e emocionais, e das demais doenças mentais.

O que você vai estudar na graduação de psicologia?

A grade curricular da graduação em psicologia é composta por conteúdos muito específicos relacionados à área e outros de caráter mais abrangente e necessários para sua formação. Dentro os mais diversos conteúdos, você encontrará:

  • Psicologia Geral , Clínica, da aprendizagem, educação, do desenvolvimento, social, personalidade, organizacional e do trabalho;
  • Neuropsicologia;
  • Psicopatologia;
  • Psicofarmacologia;
  • Psicossomática;
  • Morfofisiologia Geral;
  • Sistemas Psicológicos; 
  • Dinâmica de Grupo e Relações Interpessoais;
  • Orientação Vocacional e Profissional;
  • Teorias e Técnicas Psicoterápicas;
  • Ética Profissional;
  • Fundamentos Epistemológicos da Psicologia, Bioestatísticos, Metodológicos, Filosóficos e Sociológicos;
  • Sistema Brasileiro de Saúde.

Assim, como você pôde ver, a grade curricular permite que o aluno alcance uma formação de qualidade e uma preparação consistente que se estruturam na aquisição de conhecimentos, habilidades e competências necessárias para trabalhar como profissional de psicologia em diversas áreas de atuação.

A tecnóloga em gestão de recursos humanos

Se esta for sua opção, então se formará como tecnólogo em gestão de recursos humanos. A duração média é de dois anos e as aulas são presenciais. No entanto, há instituições que oferecem a opção semipresencial.

A graduação em gestão de recursos humanos é abrangente, mas direcionada a um objetivo bem específico. Por isso, a carga horária é menor e sua grade curricular bem direcionada. Através dela, os profissionais são desenvolvidos para atuar e intervir em processos que envolvam pessoas em seus ambientes corporativos.

Geralmente, o profissional de RH atua junto às equipes de recursos humanos das empresas com o objetivo de desenvolver e coordenar processos internos como processos seletivos, gestão de cargos, salários, benefícios salariais e demais questões trabalhistas.

Além disso, ele pode trabalhar também na melhoria contínua do clima organizacional, treinamento e desenvolvimento e dar apoio e suporte aos profissionais de gestão.

O que você vai estudar?

O curso Tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos possui disciplinas básicas e disciplinas profissionalizantes. Dentre  todas elas, você vai encontrar:

  • Fundamentos da Administração 
  • Comportamento Organizacional 
  • Psicologia das Organizações
  • Sociologia das Organizações 
  • Cultura e Mudanças Organizacionais
  • Ética Profissional
  • Gestão de Conflitos e Negociação
  • Gestão do Conhecimento
  • Relações Trabalhistas Sindicais
  • Saúde e Segurança do Trabalho
  • Auditoria e Consultoria em Recursos Humanos
  • Comunicação Organizacional
  • Métodos Quantitativos para RH
  • Gestão de Projetos
  • Educação Corporativa e Empreendedorismo
  • Sistemas de Informação aplicados aos Recursos Humanos

Além destes, outros conteúdos são oferecidos com o objetivo de formar profissionais capacitados para atuar na gestão de RH em empresas de pequeno, médio e grande porte, nos mais diversos segmentos de mercado.

Áreas de atuação

A primeira análise que você precisa fazer sobre as áreas de atuação para psicólogos e profissionais de RH é quanto aos seus objetivos profissionais. 

Se deseja, por exemplo, trabalhar em clínicas ou atendimentos a pacientes, então seu curso é a graduação em psicologia.

No entanto,  profissionais formados em psicologia também podem trabalhar em algumas áreas dos departamentos de recursos humanos. Por isso, analise bem e defina o que deseja para o futuro.

Mas se o seu objetivo é  trabalhar em empresas com gestão de pessoas, então seu curso é o de tecnólogo em gestão de RH e não há necessidade de fazer uma graduação em psicologia.

Avalie especializações e o mercado de trabalho

Ambas as profissões permitem diversas possibilidades de especializações. Isto é algo que você precisa levar em conta ao fazer sua escolha, pois dar continuidade à sua formação após a conclusão do curso é regra básica para quem quer se destacar no mercado

Por isso, analise bem o currículo de cada uma das suas opções e verifique todas as possibilidades de especializações que existem para as duas áreas.

Outro fator que você deve considerar ao fazer sua escolha, diz respeito às ofertas do mercado de trabalho. Informe-se sobre as tendências para as áreas de recursos humanos nas organizações, bem como sobre a empregabilidade dos psicólogos.

Além disso, verifique se atendem às suas expectativas, inclusive as salariais.

Oportunidades de atuação para psicólogos

Como já dissemos, aqueles que são formados na graduação de psicologia podem trabalhar em departamentos de recursos humanos. É um campo vasto e rico de oportunidades para aqueles que têm como objetivo desenvolver talentos, trabalhar na solução de conflitos e na melhoria do clima organizacional ou em cargos de gestão.

Além disso, psicólogos podem atuar em hospitais,  postos de saúde e ONGs (organizações não governamentais), em clínicas particulares e, inclusive, ter sua própria clínica. 

Dessa forma, é possível trabalhar em instituições de ensino usando seus conhecimentos sobre infância e adolescência, contribuindo para a melhoria  das práticas educativas nas escolas. As opções são muitas e as possibilidades de crescimento também.

Oportunidades de atuação para profissionais de RH

Considerando que os recursos humanos de uma empresa são diretamente responsáveis pelos bons resultados que ela alcança, fazer a sua gestão é essencial para qualquer organização. Dessa forma, aumentar a produtividade e promover o crescimento através desta gestão, faz parte da missão dos profissionais de RH. 

Eles podem trabalhar em diversos ambientes corporativos atuando em posições mais gerenciais ou outras diretamente ligadas a questões trabalhistas,  estratégicas e em processos organizacionais.

É possível trabalhar com recrutamento e seleção de pessoal, contratações, gestão de conflitos e promoção de um bom clima organizacional, treinamento e desenvolvimento humano, descoberta e retenção de talentos, processos demissionais e muito mais.

Diferenças entre graduação de Psicologia e Gestão de RH

A graduação em recursos humanos, assim como a graduação em psicologia, prepara profissionais para trabalhar com pessoas, em seu desenvolvimento pessoal e ou profissional.

No entanto, há diferenças importantes que precisam ser consideradas. As principais são:

Foco da graduação

As grades curriculares já mostram que a graduação em psicologia é totalmente voltada para o atendimento psicológico, apesar disso não impedir o trabalho em um RH.

Já na graduação em gestão de recursos humanos, todo o curso é focado para atuação em ambiente corporativo.  

Tempo de curso: graduação em psicologia x gestão de RH

A graduação em psicologia tem duração de cinco anos, ou seja, dez períodos, enquanto a de tecnólogo em gestão de RH dura de quatro a seis períodos. 

Média salarial

Isto é algo que pode variar muito e tudo depende das escolhas feitas e do local de trabalho. De forma geral, o salário de um analista de recursos humanos gira em torno de R$3.400,00, podendo apresentar variações em função do porte da empresa. 

É possível ser um assistente, um coordenador ou assumir cargos de liderança com uma remuneração maior. Um gerente de recursos humanos, por exemplo, pode ter um salário em torno de R$7.000.000.

No caso dos psicólogos, a média salarial gira em torno de R$3.000,00, mas esta variação pode ser ainda maior se considerarmos o porte da empresa e até mesmo se a opção for por trabalho autônomo.

Um profissional experiente e bem qualificado é remunerado por hora e os valores são definidos com seus pacientes. 

Modalidade de ensino

O bacharelado ou licenciatura em psicologia só pode ser realizado no formato presencial e o tecnólogo em gestão de recursos humanos pode ser feito na modalidade presencial ou semipresencial, dependendo da instituição que você escolher.

O que é importante na hora de decidir?

As duas graduações e áreas têm muito a oferecer e podem trazer excelentes resultados para as pessoas e empresas. Por isso, além do que já vimos, é importante analisar seus reais interesses e objetivos para compará-los com as propostas de cada curso. 

Como psicólogo, você pode trabalhar em uma empresa, escolher ter sua clínica ou trabalhar em parcerias com outros psicólogos em consultórios.  Futuramente poderá definir sua média salarial com uma certa margem de tranquilidade e autonomia. 

Como profissional de RH você pode optar por ter sua empresa, oferecer os serviços de recursos humanos para aquelas que não possuem um departamento de RH ou para as que preferem terceirizar alguns deles.

Mas, independentemente de sua decisão, a escolha da instituição onde fará sua graduação é fundamental, pois isso fará toda a diferença em sua formação. Te convidamos a conhecer a UNIFASE!

Conheça a UNIFASE 

Independentemente da opção que você fizer, ao escolher a UNIFASE você estará agregando ao seu currículo o nome de uma instituição que possui tradição, solidez e excelência como alguns de seus principais diferenciais. Somos reconhecidos por oferecer uma educação de qualidade, moderna,  inovadora, humana e tecnológica. 

Ao fazer sua graduação de psicologia ou gestão de recursos humanos na UNIFASE, você terá todo o suporte de uma instituição parceira com uma excelente infraestrutura, uma equipe de profissionais dedicados e um corpo docente altamente qualificado, que certamente contribuirão muito para sua formação.

Confira as principais características de nossas graduações em psicologia e gestão de RH.

Graduação em psicologia da UNIFASE

A graduação em psicologia da UNIFASE tem como objetivo formar profissionais capacitados para atuarem de forma eficaz e efetiva no estabelecimento de melhores condições de saúde e de qualidade de vida das pessoas. Um profissional formado pela UNIFASE se torna apto para trabalhar também em ambientes corporativos, em áreas de pesquisa e de ensino da psicologia.

Os diferenciais de nosso curso estão em sua proposta curricular totalmente alinhada à realidade social e compatível com as mais modernas e atuais exigências educacionais e profissionais. 

V ocê fará estágios supervisionados e será inserido em cenários reais de prática profissional ao longo de todo curso e poderá desenvolver todas as competências e habilidades necessárias para o exercício de sua profissão em qualquer um dos ambientes que escolher atuar.

Modalidade: O curso é presencial, tem duração de dez períodos e você pode optar pelo Bacharelado ou Licenciatura. 

Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos 

Nosso foco é formar profissionais capazes de trabalhar nos mais diversos contextos empresariais e espaços que integram as áreas de recursos humanos. 

Ao final do curso, eles devem ser capazes de gerenciar projetos organizacionais, de bens e serviços, realizar com competência processos de recrutamento e seleção de pessoal, conduzir questões trabalhistas e auditorias internas, remuneração ou desenvolvimento de planos de cargos e salários.

Da mesma forma, estarão aptos a desenvolver propostas de treinamento e desenvolvimento humano, reconhecimento e retenção de talentos.

Modalidade: O curso é presencial, com duração de 4 a 6 períodos e o formato é tecnólogo.

Como ingressar nos cursos?

Vestibular

Provas: Consiste de uma redação que pode ser feita online ou presencialmente. Consulte o edital   para mais informações.

Candidatos: devem ter concluído ensino médio ou equivalente

ENEM 

Consulte o edital de convocação do processo seletivo.

Transferência e reingresso

Processos de transferência interna ou externa de acordo com existência de vagas.

Processo seletivo: análise de documentação, adequação curricular e entrevista individual com o coordenador do curso, conforme informado em edital de reingresso .

PROUNI

Oferecemos 10% das vagas de cada um de nossos cursos, para os alunos selecionados através do programa.

Venha dar o próximo passo na graduação de psicologia ou gestão de RH!

Esperamos que estas informações tenham te ajudado! Agora está na hora de dar o próximo passo, que é escolher uma das formas disponibilizadas pela UNIFASE para iniciar seu curso. Temos certeza que podemos oferecer o que você precisa para alcançar excelentes oportunidades no mercado de trabalho.

Por isso, não perca mais tempo! Leia nossos editais, entre em contato conosco se achar necessário e venha se inscrever no vestibular . Estamos aguardando você!

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. 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31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.