Nutricionista ensina receitas saudáveis e saborosas para preparar em família

1 de setembro de 2020
Nutricionista ensina receitas saudáveis e saborosas para preparar em família

Ainda em meio à pandemia, sem aulas presenciais e com a necessidade de criar atividades que possam entreter as crianças em casa, a nutricionista Nathália Almeida, professora do curso de Nutrição da UNIFASE, ensina algumas receitas saudáveis, fáceis de preparar e muito saborosas. Que tal se aventurar com as crianças na cozinha e aproveitar este momento para brincar e ensinar aos pequenos sobre a importância de uma alimentação equilibrada para manter o corpo sadio? Confira:

BOLO INTEGRAL DE BANANA (ou BANANA COM CACAU)
Receita rica em fibras, sem açúcar (sacarose), ideal para crianças no período de introdução alimentar (até os dois anos).

Ingredientes:

2 ovos

2 bananas bem maduras (melhor opção é a banana nanica; pode ser 1 banana e 1 maçã com casca também).

1 xícara de chá de aveia em flocos finos

½ xícara de passas sem semente ou tâmaras

1/3 de xícara de óleo ou azeite

Canela a gosto

1 colher de sopa de fermento químico

 

Modo de preparo: no liquidificador, bater as bananas (ou banana + maçã), o óleo, os ovos e as passas ou tâmaras. Em uma tigela, junte a aveia e a mistura batida. Acrescente o fermento. Unte uma forma de bolo inglês com óleo e farinha de aveia ou de trigo. Asse em forno médio por aproximadamente 35 minutos (fazer o teste com o palito).  Caso queira adicionar cacau em pó (1/2 xícara), é preciso incluir mais 1 ovo na receita.

PANQUECA CASEIRA

Essa é uma ótima opção para variar o café da manhã podendo compor receitas salgadas (recheio de queijo, ricota, carne, frango) ou doces (mel, geleia caseira sem açúcar, gotas de chocolate 70%, banana com canela, etc).

Ingredientes:

1 ovo

½ xícara de leite de vaca (pode ser vegetal)

1 colher de sopa de óleo

½ xícara de farinha de trigo

½ xícara de farelo de aveia

1 colher de chá de sal

1 colher de sopa de fermento químico

Opcional: Chia (1 colher de sobremesa)

 

Modo de preparo: bata o ovo com um garfo ou fouet, junte o leite, o óleo e misture. Adicione os ingredientes secos. Em uma frigideira untada, coloque uma pequena porção de massa e, ao desgrudar, vire. Pode acrescentar canela à massa.

PÃO DE “QUE”
Opção para crianças que não consomem leite ou derivados (pessoas que tenham alergia à proteína do leite de vaca, por exemplo), além de ser uma preparação ótima para toda família.

 

Ingredientes:

250g de polvilho doce

250g de polvilho azedo

1 colher de sopa de azeite

500g de inhame ou batata baroa ou aipim cozido e amassado com sal

180ml de água (ou até dar liga)

Gergelim ou Chia a gosto (opcional)

Orégano a gosto (opcional)

 

Modo de preparo: misture todos os ingredientes em um recipiente grande, até formar uma massa moldável. Faça bolinhas pequenas e leve para assar em forno a 200 graus, por aproximadamente 20 minutos. Deixe espaço entre as bolinhas, pois elas crescem. Sirva com creme de ricota caseiro, geleia caseira, manteiga ou até mesmo puro!

 

GELEIAS CASEIRAS

Excelentes opções para substituir manteiga ou requeijão e variar o lanche. Ótimas fontes de fibras e compostos antioxidantes. Não contém conservantes e açúcares (somente o carboidrato da fruta) sendo ótimas opções para crianças em introdução alimentar.

– Damasco seco picado + Água filtrada (quantidade suficiente para cobrir a fruta). Cozinhar por mais ou menos de 10 a 15 minutos. Processar e levar ao fogo novamente até levantar fervura. Se necessário, ajuste a textura com mais água. Guarde em um pote de vidro na geladeira por +/- 1 semana.

 

– Frutas vermelhas: Coloque o que conseguir de frutas vermelhas picadas (mirtilo, amora, framboesa, morango) em uma panela com pequena quantidade de água (as frutas soltam muita água). Coloque para cozinhar em fogo baixo até reduzir e levantar fervura. Com um batedor, amasse as frutas e deixe ferver mais um pouco. Guarde em um pote de vidro na geladeira por +/- 1 semana.

 

– Ameixa seca picada + Água filtrada (quantidade suficiente para cobrir a fruta). Cozinhar por mais ou menos de 10 a 15 minutos. Processar e levar ao fogo novamente até levantar fervura. Se necessário, ajuste a textura com mais água. Guarde em um pote de vidro na geladeira por +/- 1 semana.

 

NUGGETS” CASEIRO

Opção que substitui muito bem o produto industrializado, sem acréscimo de gorduras, conservantes, corantes, além de ser assado e não frito. Ótimo para toda a família!

 

Ingredientes:

600g de peito de frango moído

1 ovo

1 cebola bem picada

2 dentes de alho picados

1 colher de sopa de orégano ou qualquer outro tempero que preferir (fresco ou seco)

Farinha de milho (empanar)

Sal a gosto (o mínimo possível)

 

Modo de preparo: misturar todos os ingredientes e colocar na geladeira por duas horas. Após esse tempo, modelar os nuggets com a mão e passar na farinha de milho para empanar. Colocar os nuggets em uma assadeira antiaderente, pincelar azeite em cada um e levar ao forno pré-aquecido, por 30 minutos. Virar e deixar assar por mais 20 minutos, no forno a 180 graus.

 

 

 

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.