Curso internacional sobre tratamento de osteoartrite temporomandibular é realizado em Petrópolis

13 de dezembro de 2022
Curso internacional sobre tratamento de osteoartrite temporomandibular é realizado em Petrópolis

Investimentos em tecnologia de ponta, anos de pesquisas e novas técnicas sendo desenvolvidas e aprimoradas para garantir qualidade de vida aos pacientes que têm algum tipo de desordem na articulação temporomandibular. Esse é o processo de trabalho da equipe do Dr. Ricardo Tesch, renomado cirurgião-dentista, especialista na área de Disfunções Temporomandibulares e Dor Orofacial, pesquisador e professor do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE/FMP), que se debruça em analisar e gerar evidências a fim de elaborar propostas para novos tratamentos que proporcionem ainda mais eficácia no combate às doenças dolorosas crônicas, especialmente as degenerativas, como a osteoartrite. 

“Na verdade, as desordens da articulação temporomandibular são prevalentes e acometem até 10% da população mundial. Por ser uma articulação que participa de atividades e funções vitais, como mastigação e a fonação, esse tipo de patologia interfere muito na qualidade de vida dos pacientes. O desenvolvimento de técnicas mais precisas para a aplicação de novas terapias torna o tratamento mais seguro e eficaz, proporcionando uma recuperação mais rápida e com menos efeitos adversos”, explica Dr. Ricardo Tesch, coordenador do curso de Pós-graduação em DTM e Dor Orofacial e coordenador do Laboratório de Medicina Regenerativa da UNIFASE/FMP. 

Recentemente, o grupo de pesquisadores da UNIFASE/FMP, em parceria com professores convidados nacionais e internacionais, realizou o terceiro curso internacional na área com prática em cadáveres frescos congelados, recebendo profissionais de diversos países. Este curso oferece um conteúdo completo, desde o diagnóstico até a seleção de protocolos terapêuticos baseados em evidências, além de apresentar terapias avançadas e inovadoras, desenvolvidas nos laboratórios de medicina regenerativa da UNIFASE/FMP. 

“Este curso tem como destaque a parte prática de técnicas cirúrgicas em cadáveres frescos congelados, importados dos EUA. Não adianta o profissional ter acesso à melhor terapia, quando indicada, mas não ter a certeza de que a depositou no local correto. Desta forma, praticamos técnicas cirúrgicas com guiagem em tempo real por imagens de ultrassom e/ou artroscopia para visualização direta e injeção precisa dessas diferentes terapias. Uma das técnicas inovadoras é a artroscopia minimamente invasiva do compartimento inferior da ATM guiada por imagens de ultrassom, uma proposta para que os profissionais consigam usar uma ótica artroscópica muito fina, do tamanho da agulha utilizada atualmente para fazer uma injeção dentro da articulação, e aplicar essa mesma terapia, mas de maneira guiada com visualização direta”, destaca Dr. Ricardo Tesch. 

O especialista explica que o material importado dos Estados Unidos da América é congelado sem nenhum tipo de preparo químico, o que mantém todo o tecido em condições adequadas para o treinamento, praticamente o mesmo que se faz em um ser humano vivo. Isso faz com que o treinamento possa ser realizado e repetido várias vezes, sem riscos para os pacientes, tornando o processo de calibragem extremamente seguro, o que deixa o aluno mais preparado para quando for atuar na clínica. 

“Temos alunos da República Dominicana, Chile, Venezuela, México e de várias outras nacionalidades. Isso é o resultado do trabalho realizado ao longo de muitos anos, do desenvolvimento dessas técnicas, da inovação que a gente pratica, da qualidade da estrutura da UNIFASE/FMP, da divulgação de todo esse processo que paulatinamente vem ganhando espaço na América Latina e em outros países. Estamos trabalhando para sermos um centro mundial de referência nessa área”, pontua Dr. Ricardo Tesch. 

Há alguns anos, acreditava-se que a osteoartrite era um processo natural de envelhecimento. No entanto, os constantes estudos sobre a doença revelaram que apesar de acometer principalmente pessoas de idade mais avançada, ela pode ocorrer em qualquer etapa da vida. Especificamente no que se refere à ATM, a maior prevalência está em mulheres jovens, em idade reprodutiva, provavelmente devido às influências hormonais relacionadas ao ciclo menstrual.

“Sem o tratamento adequado, a doença pode determinar a diminuição da funcionalidade da articulação. Dispomos de uma variedade de tratamentos, que vão desde o uso de fármacos orais para o controle da dor e inflamação, às injeções intra-articular. Há também a possibilidade, pouco frequente, do tratamento cirúrgico, de acordo com o grau de avanço da doença degenerativa”, comenta Dr. Ricardo Tesch. 

Com tantas novidades e muito conhecimento a ser disseminado, o professor Ricardo Tesch anunciou que a próxima turma prevista para este curso de especialização será em abril de 2023, no campus da UNIFASE/FMP, que conta com o moderno Centro de Inovação, Pesquisa e Atualização Cirúrgica (CIPAC). O cirurgião maxilofacial, Alexandre Junqueira, conta que estava ansioso para fazer este curso. 

“Há alguns anos acompanho o trabalho da equipe do Dr. Ricardo Tesch, que tem uma reputação de altíssimo nível, reconhecido internacionalmente. Aguardei com entusiasmo a oportunidade de vir de Londres ao Brasil exclusivamente para participar desse treinamento. Os cirurgiões-dentistas e maxilofaciais têm um campo muito grande para aprender e explorar, mas essa equipe está na vanguarda dessa especialidade. O conteúdo do curso é muito denso e realmente encontrei um embasamento científico sólido. A estrutura da UNIFASE/FMP me surpreendeu, pois não fica atrás de nenhum grande centro renomado no mundo. Saio desse curso com ainda mais orgulho de ser brasileiro”, conta o pesquisador de biomateriais e cirurgião bucomaxilofacial, Alexandre Junqueira, que atua na Inglaterra. 

Reem Hossameldin, professora associada do Departamento de Cirurgia Oral e Maxilofacial da Universidade do Cairo, no Egito, faz parte da equipe do Dr. Ricardo Tesch e demonstra entusiasmo por desenvolver técnicas que irão beneficiar tantos pacientes ao redor do mundo.

“Os profissionais que participaram desse curso são capazes de acessar e tratar de forma segura as doenças da articulação temporomandibular, sem causar danos aos pacientes. Além disso, eles aprenderam a manejar os pacientes antes, durante e após os procedimentos cirúrgicos. Penso que os pontos fortes do curso são baseados em como realizar procedimentos na articulação temporomandibular, independente das variações anatômicas, sem causar nenhum dano, minimizando qualquer complicação e aumentando as chances de sucesso. Nosso objetivo é disseminar esse conhecimento pelo mundo, a fim de difundi-lo entre os cirurgiões-dentistas, para que possam melhorar os resultados observados nos pacientes”, frisa a pesquisadora e professora, Reem Hossameldin.


6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.