Projeto Trauma Dental da UNIFASE oferece atendimento às vítimas de acidentes

24 de novembro de 2021
Projeto Trauma Dental da UNIFASE oferece atendimento às vítimas de acidentes

Responsáveis por dar um brilho especial ao nosso sorriso, os dentes também são essenciais na etapa de mastigação dos alimentos e auxiliam na articulação das palavras. Quando uma pessoa sofre algum acidente e causa lesão nos dentes, podendo quebrar ou até mesmo perdê-los no impacto, o trauma dental se torna um problema que afeta não apenas a saúde física, pois atinge diretamente a autoestima.

Desde 2019, com o objetivo de resgatar a estética e a alegria das pessoas que tiveram um trauma dental, oferecendo um tratamento de excelência que permita a restauração total dos dentes, o Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (UNIFASE) desenvolve o Projeto Trauma Dental, no seu Ambulatório Escola, em Cascatinha.

“Nos últimos anos, tivemos um aumento considerável no número de acidentes de moto e de carro, além dos casos de violência doméstica. Esses casos têm elevado bastante o número de vítimas com traumatismo dental. Por isso, é cada vez mais necessário que os dentistas estejam qualificados para atender tal demanda e saber como realizar os procedimentos adequados”, explica o professor Dr. Ernani Abad, idealizador do Projeto Trauma Dental da UNIFASE.

O Projeto desenvolvido pelos alunos e professores do curso de Odontologia da UNIFASE oferece atendimento a preços populares aos pacientes. Os procedimentos são realizados nos consultórios do Ambulatório Escola, que conta com ampla estrutura e equipamentos de última geração.

“Nesse projeto atendemos pacientes desde o público infantil até adultos. Qualquer pessoa que sofra um traumatismo dentário, que tenha uma lesão relacionada à boca e aos elementos dentários, pode procurar o atendimento. O Projeto Trauma Dental funciona às terças-feiras, à tarde, mas temos professores da equipe ao longo da semana que realizam o primeiro atendimento e encaminham o paciente para o projeto. Nossa maior demanda é de pacientes que sofrem acidentes de bicicleta e de moto”, comenta a dentista Andréia Machado, professora do curso de Odontologia da UNIFASE.

O atendimento emergencial em casos de traumatismos dentários é realizado por dentistas experientes na área, que supervisionam os estudantes do curso de Odontologia da UNIFASE durante os procedimentos. Caso não seja apenas uma parte do dente que foi quebrada, mas o mesmo tenha saído por inteiro, o dentista explica que o ideal é levar o dente até o consultório o mais rápido possível.

“Se o dente for encontrado após o acidente, dá para recolocar. Esse primeiro socorro é determinante para o sucesso do tratamento. O dente quando sai da boca tem uma hora para ser recolocado, isso é o ideal. Caso a pessoa consiga segurar o dente quietinho na boca e ir rápido para o atendimento é melhor ainda, porque faz com que o dente permaneça no local de origem e seja mais fácil realizar o procedimento de realocação. Caso não seja possível, o ideal é colocar o dente pelo menos dentro de um pote com leite gelado”, frisa o Dr. Abad.

Há mais de vinte anos, o Dr. Ernani Abad deu início ao projeto de traumatismo dental, no Rio de Janeiro, com objetivo de atender pessoas carentes que passam por um acidente e não têm condições de custear os gastos, que são altos. Apenas no Rio, o projeto já beneficiou mais de 2,5 mil pessoas. Em Petrópolis, o aumento de pacientes é gradativo.

“Eu trabalho na área de Trauma Dental com o professor Ernani Abad há mais 20 anos. Em 2020, foi preciso parar os atendimentos por conta da pandemia. Apenas no meio desse ano que as atividades presenciais retornaram. Atualmente, já realizamos o tratamento em cerca de 30 pacientes que seguem o acompanhamento e, neste semestre, recebemos 07 pacientes novos. O tratamento é a longo prazo, pois a pessoa recebe os primeiros atendimentos e faz o tratamento, mas a alta, dependendo do trauma sofrido, só é possível no prazo de um a cinco anos. Esse projeto traz muitos benefícios para população, pois dificilmente a pessoa consegue um atendimento correto, tanto nas unidades públicas de saúde quanto nos consultórios particulares. Infelizmente, existe uma falta de conhecimento com relação ao que fazer frente ao traumatismo dentário, principalmente nos casos mais extremos de fraturas e avulsões, que são mais difíceis de serem resolvidos pela própria falta de conhecimento do profissional. No Projeto Trauma Dental, a população conta com um local que tem os recursos necessários, além de profissionais qualificados que sabem executar com maestria todos os passos para um atendimento de excelência”, destaca Dra. Andréia Machado.

Antes de receberem os pacientes nos consultórios do Ambulatório Escola, os alunos participam de aulas teóricas para adquirirem embasamento sobre os procedimentos de traumatismo dental. Os acadêmicos precisam estar cursando a fase clínica para atingirem o nível de ensino exigido para atender esses casos específicos, o que ocorre a partir do sexto período. Aos interessados em cursar Odontologia, Dr. Ernani enfatiza a alegria profissional de dever cumprido ao devolver o sorriso aos pacientes.

“É altamente gratificante para mim, porque devolvemos sorrisos. Quando as pessoas ficam sem os dentes, elas naturalmente deixam de sorrir. Para os alunos da faculdade essa é uma oportunidade muito interessante de aprendizado, pois todo dentista um dia no consultório vai precisar atender um caso de trauma dental. É muito importante que desde a graduação os estudantes tenham uma visão mais ampla do que abrange a profissão e as consequências de qualquer intervenção para saberem agir de acordo com o que se torna necessário a cada caso. Eu digo que é Trauma Multidisciplinar, porque envolve várias especialidades dentro da Odontologia e traz um resultado fabuloso”, finaliza Dr. Ernani Abad.

O Ambulatório Escola oferece atendimentos gratuitos em todas as especialidades médicas e de atenção à saúde (pediatria, cardiologia, clínica cirúrgica, clínica médica, dermatologia, endocrinologia (adulto e infantil), enfermagem, gastroenterologia (adulto e infantil), ginecologia, neurologia pediátrica, nutrição, obstetrícia, oftalmologia, ortopedia, urologia, otorrinolaringologia, alergia pediátrica, psiquiatria, uroginecologia e ambulatório pós-covid) são oferecidas através de convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). Os serviços oferecidos no SPA (Serviço de Psicologia Aplicada) estão disponíveis tanto para demandas públicas, através de convênio com o SUS, quanto para demandas privadas, atendidas a preços populares. Apenas as especialidades de DTM e Odontopediatria, os serviços de odontologia e radiologia odontológica são realizados a preços populares.  Mais informações pelo telefone: (24) 2235-2224.

Se você tem interesse em ingressar no curso de Odontologia e contribuir para saúde bucal das pessoas, além de ajudar a restabelecer vários sorrisos, a UNIFASE está com inscrições abertas para o vestibular 2022.1. Encontre-se! Outras informações estão disponíveis no site: www.unifase-rj.edu.br.

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.