Receitas para as festas de final de ano

24 de novembro de 2020
Receitas para as festas de final de ano

Não engordar no período das festas de fim de ano é um desafio para a maior parte das pessoas. De acordo com a nutricionista e professora do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (UNIFASE), Brigitte Olichon, isso acontece porque os nossos hábitos alimentares se originaram a partir da tradição do hemisfério norte, que nesta fase do ano vive um inverno rigoroso.

“Americanos e europeus costumam comer peru, tender, panetone e frutas secas, entre outros alimentos ricos em calorias. No entanto, o consumo desses alimentos não é recomendado a quem nesta época está situado abaixo da Linha do Equador, por conta das altas temperaturas do verão”, explica.

Segundo Olichon, um cardápio de Natal saudável e barato começa pela escolha de uma ave como prato principal. “Esta é uma opção menos calórica e tem menos gordura que a carne de porco. Dependendo do número de convidados, o chester sai mais em conta que o peru”, diz a professora.

É importante que os pratos de entrada sejam leves, pois são os responsáveis por preparar o paladar para o prato principal. Além das saladas com folhas verdes e legumes cozidos, a ceia pode ser aberta com mousses salgadas feitas à base de iogurte e gelatina e empadinhas de pão, de preferência integral.

Para acompanhar, recomenda-se o clássico arroz, que pode ser incrementado com legumes em risotos coloridos, e purês diversos como o prático e econômico falso purê de castanhas portuguesas. “Cremes gordurosos e à base de creme de leite ou com bacon e presunto devem ser evitados”, acrescenta a professora.

Como as sobremesas à base de leite condensado e creme de leite dificultam a digestão, o mais indicado são as frutas frescas. Para evitar sobras no dia seguinte, o ideal é escolher apenas uma opção entre os tradicionais pavê, pudim e rabanada. Caso a escolhida seja a última, dê preferência à de forno, mais saborosa e muito mais saudável.

Confira algumas sugestões de receitas elaboradas pela nutricionista:

Falso Purê de Castanha Portuguesa

Ingredientes:

600g de batata doce cozida e amassada

1 xícara (chá) cheia de feijão cozido e passado pela peneira

1 colher (sopa) de cacau em pó

cravo da índia a gosto

canela em pó a gosto

noz-moscada a gosto

1 colher (sopa) de mel

1 colher (sopa) cheia de azeite extravirgem ou óleo, de preferência de girassol ou algodão

cerca de 1 xícara (chá) de leite desnatado (200ml)

1 pitada de sal

 

Modo de preparo:

Misture os ingredientes, leve ao fogo e esquente bem.

 

 

 

Falsa Farofa de Bacon

Ingredientes:

2 xícaras de farinha de mandioca

1 colher (sopa) de azeite extravirgem ou óleo, de preferência de girassol ou algodão

1 dente de alho amassado

1 cebola picadinha

3 ovos

Salsa e cebolinha

Sal a gosto

Talos de beterraba

Modo de preparo:

Lavar e higienizar todos os temperos e os talos de beterraba. Picar os talos. Colocar o óleo ou azeite, dourar a cebola e o alho, estalar os ovos e mexer bem. Acrescentar os talos de beterraba e a farinha. Temperar com o sal e o cheiro-verde. Servir quente. Se quiser, acrescentar azeitonas pretas picadas ou banana.

Rabanada de Forno

Ingredientes:

12 fatias de pão

2 xícaras de leite

1 colher (chá) de baunilha

3 colheres (sopa) de adoçante em pó (para forno e fogão)

3 colheres (sopa) de água

1 colher (sopa) de azeite extravirgem ou óleo, de preferência de girassol ou algodão

2 ovos + 1 clara

Para polvilhar: 3 colheres (sopa) de adoçante em pó + 3 colheres (sopa) de canela

Modo de preparo:

Misturar o leite, a baunilha e o adoçante. Bater os ovos e a clara, adicionar a água. Untar uma forma com azeite ou óleo. Passar cada fatia de pão no leite e no ovo. Colocar na forma e levar ao forno bem quente, virando quando estiver dourado.

 

Panetone Light

 

 

Ingredientes:

3 ovos

½ xícara de azeite extravirgem ou óleo, de preferência de girassol ou algodão

2 colheres (sopa) de adoçante

¾ xícara de suco de laranja pêra

½ xícara de leite desnatado

¼ de xícara de água morna

1 colher (sopa) essência de panetone

Farinha de trigo até dar ponto

1 xícara de frutas

1 xícara (café) de castanhas

30 g de fermento para pão

1 colher (chá) rasa de sal

 

Modo de preparo:

Junte o fermento, ovos, suco, leite, água, essência e sal e misture bem. Acrescente as frutas, as castanhas e a farinha aos poucos. Misture bem até obter uma massa lisa. Coloque nas formas e deixe descansar até completar a forma. Asse em forno pré-aquecido por cerca de 40 minutos. Rende dois panetones de 800 gramas.

 

Salpicão

 

 

Ingredientes:

5 xícaras (chá) de casca de melancia ralada

Sal a gosto

260g de peito de frango

1 ½ xícara (chá) de salsão cortado

¼ xícara (chá) cebola

2 colheres (sopa) salsa

1 limão

½ xícara (chá) maionese

1 cenoura

Modo de preparo:

Lavar a melancia e a cenoura com uma escovinha. Cortar em pedaços e descascar. Ralar a casca da melancia e a cenoura em ralo fino. Aferventar as cascas raladas em água e sal, até que fiquem macias. Reservar. Cozinhar o peito de frango em água e sal, desfiar e reservar. Cortar em fatias o salsão e a cebola. Reservar. Picar a salsa e misturar à casca de melancia ralada e aferventada, ao peito desfiado, ao salsão e à cebola. Temperar com sal, limão e acrescentar a maionese. Servir frio.

 

Champagne de Abacaxi

 

 

Ingredientes:

Casca de 1 abacaxi grande

Açúcar a gosto

 

Modo de preparo:

Lavar o abacaxi com escovinha. Descascar e guardar as cascas. Colocar as cascas em garrafa térmica com água filtrada até cobrir tudo. Deixar um espaço de ar na garrafa. Se não tiver garrafa térmica, colocar em garrafa que possa ficar bem tampada. Guardar por 2 ou 3 dias, sem mexer. Coar, adoçar a gosto e servir bem gelado.

 

 

Falsa Bacalhoada

 

 

Ingredientes: 
1 Kg de filé de merluza
1 Kg de batata inglesa cortadas em rodelas grossas
1/2 Kg de cebola picadas em rodelas grossas
1 Kg de tomate maduro sem pele e semente, picados em gomos
2 pimentões vermelhos fatiados
2 pimentões verdes fatiados
1 xícara de chá de azeitonas pretas
1 cabeça de alho descascada
1 xícara de chá de azeite de oliva
1 maço de cheiro verde picadinho

 

Modo de preparo:

Corte o alho ao meio e frite-os no azeite, em fogo baixo, até dourá-los. Separe o alho do azeite e reserve-os. Em uma panela, que possa ir à mesa, montar a falsa bacalhoada em camadas sucessivas de azeite (o reservado, sem os alhos), tomate, cebola, cheiro-verde, pimentões, batata, filé de merluza; até acabar os ingredientes, a última camada deve ser de tomates, cebola, pimentão, cheiro verde e azeite. Levar ao fogo baixo, com a panela fechada, sem adicionar água; quando as batatas estiverem quase cozidas, acrescente as azeitonas. Estará pronto, quando as batatas estiverem cozidas.

 

Frango na moranga

 

 

Ingredientes:

50 g de azeite extravirgem ou óleo, de preferência de girassol ou algodão

1 cebola grande ralada

3 dentes de alho picadinhos

500 g de peito de frango cortado em cubos

1 colher (café) de colorau

1 vidro de leite de coco light (200 ml)

1/2 xícara de cheiro verde picado

1 pitada de noz moscada

1 colher (sobremesa) rasa de sal

1 copo de requeijão light

1 moranga grande (2 kg)

 

 

Modo de preparo:

Em uma panela média, aqueça o azeite ou óleo e frite a cebola e o alho. Acrescente os cubos de frango, e o colorau. Refogue muito bem. Misture o leite de coco, o cheiro verde, a noz moscada e tempere com o sal. Deixe que cozinhe por 10 minutos em fogo baixo, ou até que o frango esteja macio. Desligue e reserve. Corte a tampa da moranga e retire toda a semente. Coloque no micro-ondas e deixe que cozinhe em potência alta por 25 minutos. Se preferir, leve a moranga ao forno por 1 hora e 30 minutos, envolvida em papel alumínio. Com o auxílio de uma colher, retire metade da polpa da moranga e acrescente ao refogado da panela. Volte ao fogo e deixe que cozinhe em fogo baixo até que a moranga desmanche por completo. Espalhe o requeijão light por toda a parte interna da moranga. Coloque delicadamente o refogado e tampe a moranga levando novamente ao micro-ondas por 5 minutos em potência alta ou se preferir, ao forno por 20 minutos.

 

Gelado light de Uva

 

 

Ingredientes: 
1 envelope de gelatina sem sabor incolor
½ envelope de gelatina sem sabor vermelha
½ xic. chá água
250ml suco de uva concentrado
1 lata creme leite light
5 col sopa adoçante em pó (para forno e fogão)
3 claras em neve
óleo vegetal para untar

Ingredientes – Calda
250ml suco uva concentrado
1 xic chá água
1 col sopa amido de milho
3 col sopa adoçante em pó

Modo de preparo: 
Junte as gelatinas e hidrate-as na água. Em seguida, dissolva-as no micro-ondas por 30 segundos, ou em banho-maria.
No liquidificador, bata o suco de uva, as gelatinas dissolvidas, o creme de leite e o adoçante. Pare de bater, transfira para um recipiente e junte as claras delicadamente.
Coloque a preparação em uma forma previamente untada com óleo vegetal. Leve à geladeira por 6 horas.

Calda
Coloque todos os ingredientes em uma panela pequena e leve ao fogo até engrossar.
Sirva a sobremesa regada com a calda gelada.

 

Sorvete de morango

 

Ingredientes:

4 bananas congeladas

2 caixas de morangos frescos

 

Modo de preparo:

Bater os morangos em polpa com as bananas congeladas e levar ao congelador.

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6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.