Hospital de Ensino Alcides Carneiro é referência na área materno-infantil na Região Serrana

28 de julho de 2020
Hospital de Ensino Alcides Carneiro é referência na área materno-infantil na Região Serrana

Neste difícil momento que atravessamos na luta contra o novo Coronavírus, a área da saúde recebe atenção especial por estar à frente no cuidado aos pacientes que são acometidos por este vírus. Mesmo diante de tantas dificuldades, ainda sem a vacina para combater a pandemia de COVID-19, os profissionais da área da saúde do município encontram conforto e são revestidos de esperança diante de cada conquista na expansão do Hospital de Ensino Alcides Carneiro, o maior hospital público de Petrópolis, referência na Região Serrana pela qualidade na prestação de serviços na área materno-infantil.

Após inaugurar o Centro Obstétrico, em fevereiro deste ano, e a ampliação da maternidade, no início deste mês, chegou a vez de apresentar as novas instalações da enfermaria de pediatria, inaugurada na terça-feira (28/07), que passa a contar com o número total de 42 leitos. As obras entregues até o momento permitiram a criação de 20 leitos na Maternidade e de 15 leitos na Pediatria, somados aos já criados no Centro Obstétrico. Uma crescente demanda no município, uma vez que o Hospital de Ensino Alcides Carneiro concentra todos os atendimentos às crianças do setor público de saúde.

“É com grande orgulho e satisfação que olho para a trajetória de serviço dedicado às crianças e suas famílias no Hospital de Ensino Alcides Carneiro, nestes 29 anos. Me sinto realizado por fazer parte dessa história, pois o HEAC é um dos poucos hospitais municipais do país que possui a certificação dos Ministérios da Educação e da Saúde como Hospital de Ensino. Cada vez mais os alunos e os pacientes ganham, pois o atendimento será mais focado e com olhar de tudo que é mais atual na área médica”, explica o médico e professor Álvaro Veiga, Diretor de Ensino do SEHAC (Serviço Social Autônomo Alcides Carneiro).

As obras realizadas na unidade hospitalar reforçam o compromisso de cuidar e zelar pela vida desde o início da gestação. Através de uma parceria, o Hospital de Ensino Alcides Carneiro recebe os investimentos conjuntos da prefeitura de Petrópolis e do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/Faculdade de Medicina de Petrópolis, definidos no Plano Municipal de Saúde, aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde, e indicados pela Secretaria Municipal de Saúde como prioritários.

“O convênio que a Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE/FMP) tem com a prefeitura Municipal de Petrópolis é de extrema importância em relação aos investimentos e melhorias que podem ser aplicados ao Hospital de Ensino Alcides Carneiro. Este hospital geral, que atende toda a população de Petrópolis e do seu entorno, é referência para diversos serviços. Nesta unidade Hospitalar, a Faculdade de Medicina e os demais cursos da UNIFASE formam profissionais de saúde que devem entender profundamente o funcionamento do SUS e terem a oportunidade de exercitar o seu aprendizado com ampla liberdade. É isso que motiva o nosso investimento em áreas relevantes da saúde pública e do Hospital de Ensino Alcides Carneiro, como é o caso da ampliação de leitos de maternidade e de pediatria. Em especial, em momentos tão sensíveis para a nossa população como o da pandemia de COVID-19”, explica Maria Isabel de Sá Earp de Resende Chaves, supervisora geral da UNIFASE/FMP.

A Clínica pediátrica do Hospital de Ensino Alcides Carneiro foi inaugurada em 1991. Com a mudança do perfil dos hospitais conveniados com o SUS, que prestavam assistência hospitalar às crianças, todo o atendimento a esses pacientes foi direcionado exclusivamente para o HEAC, assim como a maternidade. Desde então, o Hospital de Ensino Alcides Carneiro é a única referência para a área materno-infantil em Petrópolis, inclusive para os pacientes de alto risco do Sistema Único de Saúde. Além disso, o HEAC exerce importante papel na formação e capacitação de recursos humanos na área da saúde: medicina (Graduação e Residência), enfermagem (Graduação e Residência), Nutrição, Radiologia e Administração Hospitalar, através de convênio com a Faculdade de Medicina de Petrópolis.

“Nós adotamos a prática de ensino voltada para a medicina e os cuidados em saúde de forma mais humanizada, para que os alunos tanto da graduação quanto da residência possam atuar no Sistema Único de Saúde exercendo suas funções voltadas para um atendimento de excelência aos pacientes que buscam cuidados. Um número expressivo de pediatras da nossa cidade foi formado na FMP, muitos foram residentes do Programa de Residência Médica em Pediatria, fato que muito nos orgulha, pois acreditamos firmemente ser indissociável a atividade assistencial da atividade docente para o cuidado adequado e para a formação de recursos humanos de qualidade na atenção aos pacientes do SUS”, finaliza o médico e professor Álvaro Veiga.

Os recursos financeiros que viabilizaram as obras de expansão vieram da Fundação Octacílio Gualberto, mantenedora do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/ Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE/FMP), em decorrência do novo termo aditivo aos convênios anteriormente firmados entre a direção da faculdade e a Prefeitura Municipal de Petrópolis, que selam o investimento de 13 milhões no hospital de ensino, ao longo de 12 anos.  A próxima etapa da obra será a instalação do banco de leite na unidade hospitalar. Assim que estiver concluída, será possível pleitear o título de Hospital Amigo da Criança para o HEAC.

“A faculdade reconhece a importância da unidade hospitalar para a formação dos acadêmicos da área da saúde. Queremos proporcionar aos nossos alunos e professores melhores condições de desenvolver o processo de ensino-aprendizagem, o que reflete diretamente na assistência à população que conta com um atendimento qualificado. Ao investirmos no Hospital de Ensino, há mais de 40 anos, ressaltamos o nosso compromisso com a rede pública de saúde do município”, finaliza Maria Isabel de Sá Earp de Resende Chaves, supervisora geral da UNIFASE/FMP.

 

                               

 

 

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.