Ministério da Saúde aponta aumento de casos de Diabetes e obesidade

Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Matéria por TV UNIFASE
Ambulatório Escola da UNIFASE oferece acompanhamento a pacientes com obesidade grave
O aumento dos casos de obesidade e diabetes no Brasil acende um alerta importante para a saúde pública e reforça a necessidade de mudança de hábitos. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2006 e 2024, o número de pessoas com diabetes cresceu 135%, enquanto a obesidade avançou 118% no país.
Para a endocrinologista e coordenadora do curso de Medicina da UNIFASE, Patrícia Tavares, o crescimento dessas doenças está ligado a diversos fatores: “Entre eles, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, produtos industrializados com alto teor de açúcar, gordura e sódio, a baixa ingestão de fibras e o estilo de vida sedentário. Além da prática insuficiente de atividade física, o comportamento sedentário ao longo do dia, como passar muitas horas sentado, também contribui para o aumento do risco cardiovascular”, explica.
A especialista também destaca outros pontos importantes. “O envelhecimento da população e a predisposição genética são fatores relevantes. Ou seja, o problema não tem uma única causa, o que torna a prevenção e o tratamento ainda mais desafiadores”, afirma.
O impacto vai além da saúde individual. O diabetes, por exemplo, é considerado uma doença de alto custo, principalmente quando surgem complicações. Entre elas estão problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de insuficiência cardíaca. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais.
Dados do levantamento Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram ainda que menos da metade dos brasileiros mantém uma alimentação saudável. O consumo regular de frutas, verduras e grãos caiu de 33% para 31% nas últimas décadas, indicando uma piora nos hábitos alimentares da população.
Atendimento em Petrópolis oferece suporte a pacientes com obesidade grave
Em Petrópolis, iniciativas locais buscam enfrentar esse cenário. O Ambulatório Escola da UNIFASE (Ambe) desenvolve um programa voltado ao atendimento de pacientes com obesidade grave, oferecendo acompanhamento especializado e gratuito.
Criado em 2022, o projeto surgiu a partir de uma alta demanda identificada nos atendimentos: mais de 30% dos pacientes apresentavam obesidade em grau elevado. A partir disso, foi estruturado um modelo de cuidado mais próximo e contínuo.
Segundo a preceptora de Nutrição do Ambe, Fernanda Muniz, o diferencial do programa está no atendimento multidisciplinar. “Profissionais e estudantes das áreas de Nutrição, Medicina e Saúde Mental atuam em conjunto, entendendo que a obesidade não vem sozinha. Ansiedade, depressão e compulsão alimentar estão frequentemente associadas ao quadro”, explica.
Atualmente, 54 pacientes são acompanhados pelo ambulatório. O foco vai além da perda de peso, buscando promover mudanças sustentáveis na rotina e melhorar a qualidade de vida.
Mais que emagrecer: uma transformação de vida
Esse cenário já impacta diretamente a vida de brasileiros como Liliane Tavares. Para ela, tarefas simples do dia a dia se tornaram desafios. Mais do que uma questão estética, a obesidade interfere na qualidade de vida e nas relações pessoais.
Em acompanhamento há mais de dois anos, Liliane aguarda a realização da cirurgia bariátrica. Enquanto isso, segue em preparação para melhorar suas condições de saúde. “Eu quero fazer a bariátrica não somente por estética. Quero poder sentar em um balanço no parque com a minha filha — algo que hoje não consigo. Quero vê-la crescer, se formar e construir a vida. Para mim, vai muito além de perder peso”, relata.
Outro caso é o de Talita Vitória Santiago, que já realizou a cirurgia bariátrica, mas voltou a ganhar peso. Agora, ela busca mudar hábitos e evitar que o histórico familiar se repita com o filho. “Hoje eu vejo que é necessário se cuidar. Não é só mudar a alimentação, mas também praticar atividade física e beber água. Aqui, eu entendo melhor os benefícios dessa mudança. Meu filho é adolescente e não quero que ele passe pelos mesmos problemas que eu”, afirma.
A experiência reforça que o tratamento da obesidade não termina em procedimentos médicos. Ele exige acompanhamento contínuo, mudança de comportamento e apoio profissional.
Prevenção ainda é o melhor caminho
Especialistas são unânimes: prevenir é sempre o melhor caminho. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do tempo sedentário são medidas essenciais.
Além disso, o acompanhamento médico periódico ajuda a identificar precocemente fatores de risco, evitando o agravamento de doenças crônicas.
Confira o Conexão Unifase sobre o tema:
https://www.youtube.com/watch?v=cPulFkWBlIU









