Copa do Mundo e Psicologia do Esporte: quando a mente entra em jogo

Por Clévia Sies - Coord. do Curso de Pós-graduação em Psicologia do Esporte da UNIFASE
A Copa do Mundo é um dos maiores espetáculos esportivos. No período dos jogos, tudo gira em torno deste evento: mídia, mudanças de calendários, venda de camisas, viagens para assistir aos jogos, “resenha” com os amigos em frente a televisão... O que muita gente não sabe é que por trás de dribles e jogadas espetaculares, existe uma preparação mental crucial para auxiliar na coesão do grupo, na gestão de estresse e na autorregulação emocional.
A preparação mental dos jogadores de alto nível é tão importante quanto a preparação técnica e tática. Os atletas do mundo do futebol enfrentam pressões externas, tais como a torcida, patrocinadores, treinador e família; e pressões internas como autocobrança, controle emocional, motivação e gestão de fracasso.
A seleção brasileira por décadas sofreu pressão por ser uma das favoritas, o que leva a uma pressão exponencialmente maior do que outros países. A liderança do treinador pode ser colocada a prova e, é fundamental que possibilidades de enfrentamento sejam discutidas no pós–jogo, valorizando cada vez mais os aspectos psicológicos.
A Psicologia do Esporte entra em campo com cada um dos atores que participam desse evento mundial. Cada atleta utiliza ferramentas ou técnicas apropriadas para diminuir o estresse, enfrentar o medo, controlar a ansiedade, entre outros. Para que essas técnicas sejam eficazes, o psicólogo esportivo é fundamental. Algumas técnicas muito utilizadas são as de respiração diafragmática e as técnicas de visualização. Técnicas de autoconhecimento e controle emocional tendem a ser bem eficazes. Dinâmicas dos grupos são excelentes para alinhar a equipe. Apesar de muito narradas e disseminadas, um profissional saberá nortear os atletas em como e quando utilizá–las, favorecendo assim a subjetividade do jogador para que o mesmo possa auxiliar o time.
Atletas de elite do futebol, como Richarlison e Ronaldo Fenômeno, narraram as dificuldades de enfrentar a depressão e as pressões impostas. São exemplos de atletas de rendimento que relatam que a saúde mental faz parte do treinamento e, consecutivamente, da vitória.
É necessário olhar com cuidado para esses atletas para que as valências psicológicas estejam sendo cuidadas tanto quanto sua saúde física. A preparação deve ser física, mas também mental. O potencial máximo a ser alcançado é possível com um equilíbrio entre corpo e mente. Cuidar da saúde mental, vale ouro!









