Chocolate revela história, cultura e efeitos na alimentação

1 de abril de 2026
Chocolate revela história, cultura e efeitos na alimentação

Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira:

Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra?

Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos.

Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. 

Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte!

E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo!

Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte.

Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos!

Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né?

Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento.

Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". 

Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. 

A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais...

Bom renascimento regado a chocolate para vocês!


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Em mais uma iniciativa para tornar as comunidades de Petrópolis mais resilientes, o projeto "Comunidade que cuida da vida", desenvolvido pela UNIFASE, em parceria com a Defesa Civil de Petrópolis, agora passa a contar também com o projeto "NBQR nas Comunidades: Educação, Prevenção e Tecnologia para a Resiliência Socioambiental", desenvolvido pela Marinha do Brasil, em conjunto com a UFRJ e a Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica (SBPR). NBQR é uma sigla para ameaças de natureza Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, que podem afetar populações, infraestruturas e meio ambiente. "O nosso projeto visa desmistificar a ciência nas comunidades, tendo como foco a defesa nuclear, biológica, química e radiológica. A intenção é pegar o conhecimento da academia, aliado ao conhecimento operacional do corpo de fuzileiros navais, e levar isso de forma que a comunidade possa entender aonde ela pode colaborar com relação a redução de riscos nas áreas de defesa NBQR", explica o comandante Antônio César da Silva Leite, pesquisador na área de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais. Aprovado no programa PISTA: Conectando Territórios Inovadores da FAPERJ, o projeto do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais, instituição de Ciência e Tecnologia da Marinha do Brasil que é líder na área de pesquisa NBQR, conta com uma equipe multidisciplinar, que envolve a participação da UNIFASE, responsável pela articulação local; da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Petrópolis (SEMPDEC), no suporte operacional; e da UFRJ/COPPE, na liderança técnico-científica. "A chegada da Marinha e da UFRJ, através deste projeto, vai agregar nossa percepção de avaliação de risco, já que ele amplia para as questões nucleares, biológicas, químicas e radiológicas. No momento, trabalhamos muito a questão biológica e geológica das comunidades em que atuamos, mas nesse primeiro encontro já mudamos o nosso olhar para o território. Em contrapartida, eles entenderam que estão entrando numa região, na qual já existe diálogo comunitário e participação social, o que muda todo o caminho do projeto. Vamos agregar e construir juntos, e não apenas delegar ações", analisa a enfermeira sanitarista Lívia Teixeira, coordenadora do projeto "Comunidade que cuida da vida" e supervisora das Unidades de Saúde da Família (Nova Cascatinha, Estrada da Saudade, Boa Vista e Machado Fagundes) geridas pela UNIFASE. Em visita à Estrada da Saudade, região onde foi implantado o projeto-piloto do "Comunidade que cuida da vida", membros da UNIFASE, da Prefeitura de Petrópolis e do projeto "NBQR nas Comunidades" fizeram um reconhecimento do território em que vão atuar. "O objetivo da visita foi identificar ameaças associadas aos riscos de natureza NBQR. Essa é uma nova frente de risco que vamos começar a entender na região para traçar estratégias para que os impactos associados a esses riscos sejam amenizados", aponta Vitória Custódio, geógrafa da Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Petrópolis (SEMPDEC). "A gente não faz Estratégia de Saúde da Família sozinho, então ter mais pessoas se juntando ao nosso projeto agrega mais conhecimento e conhecimento é poder, principalmente em relação a populações mais vulneráveis", conclui Rafael Aragão Ribeiro, Médico de Família e Comunidade que atua no PSF da Estrada da Saudade e no projeto da UNIFASE. Sobre o "Comunidade que cuida da vida" Integrando ensino, pesquisa e extensão, o projeto atua na redução de riscos e no fortalecimento da segurança das comunidades de Petrópolis, com ações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. Em 2025, a estudante de Medicina Anna Giullia Toledo Hosken e a professora Lívia Teixeira, da Faculdade de Medicina de Petrópolis, vinculada ao Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (UNIFASE/FMP), conquistaram com o projeto o 3º lugar do Prêmio Jovem Cientista, na categoria Estudante do Ensino Superior. Além da parceria com a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil (SEMPDEC), o "Comunidade que cuida da vida" conta ainda com apoio das Secretarias de Assistência Social e de Saúde e a colaboração do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram: @comunidadequecuidadavida