Banco de leite humano e a promoção do aleitamento materno

15 de setembro de 2022
Banco de leite humano e a promoção do aleitamento materno
Banco de leite humano – Unifase

A função social de um banco de leite humano vai muito além de fazer a coleta, o armazenamento e a distribuição de leite a quem precisa ou dar suporte às mães com dificuldades de amamentação.. 

Além de garantir que milhares de bebês recebam todos os nutrientes e a proteção que precisam em seus primeiros dias de vida, eles contribuem efetivamente para a prevenção da mortalidade infantil entre crianças com até cinco anos de idade.

Neste artigo vamos falar sobre a importância dos bancos de leite humano e sobre o papel do Brasil nesta rede global de proteção e promoção do aleitamento materno.

Origem dos bancos de leite

O primeiro banco de leite humano brasileiro foi inaugurado em 1943, na cidade do Rio de Janeiro, pelo Instituto Nacional de Puericultura , que hoje tem o nome de Instituto Fernandes Figueira (IFF) e faz parte da Fundação Oswaldo Cruz

Até 1980, o país contava com apenas 10 unidades de atendimento, mas, este movimento cresceu e, em 1998, foi estabelecida a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR ), por iniciativa do Ministério da Saúde e da Fiocruz.

Em 2001, a rBLH-BR foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das ações mais importantes e efetivas na redução da mortalidade infantil em todo o mundo. Coroando este reconhecimento, o Brasil alcançou em 2012,  uma redução de 70,5% deste índice através destas ações. 

Hoje, são mais de 225 BLHs espalhados por todo território nacional e um deles é o Banco de Leite humano de Petrópolis, aberto no  Hospital de Ensino Alcides Carneiro (HEAC), que é uma unidade pública de saúde. 

Ele foi desenvolvido e entregue à população, graças a uma parceria entre o Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE) e a Prefeitura Municipal de Petrópolis. 

Atualmente, a Fiocruz é a coordenadora da Rede Global de Bancos de leite Humano e o Brasil possui a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano de todo o mundo. Por isso, somos referência mundial entre os 22 países onde ela atua. Entre eles estão países como Portugal, China, Rússia, Índia, África do Sul Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe.

Por que os bancos de leite são tão importantes?

banco de leite - Unifase
banco de leite – Unifase

Durante muito tempo a única função de um banco de leite era coletar, processar, armazenar e fornecer leite humano para bebês prematuros ou recém-nascidos que precisavam deste alimento, mas não tinham acesso a ele.

No entanto, sua função e proposta mudaram ao longo dos anos e, hoje, um banco de leite humano, ou BLH, é um centro de proteção, promoção, incentivo e apoio ao aleitamento materno, onde pais e mães recebem informações e orientações sobre seu valor e importância. 

Por que criar e manter bancos de leite humano?

Para que as crianças cresçam, se desenvolvam e adquiram uma boa capacidade de aprendizagem, é necessário que elas possam contar com alguns fatores importantes, como uma boa herança genética herdada dos pais e os cuidados oferecidos pela família e pela sociedade em geral. 

Entre esses cuidados está uma nutrição de qualidade, fornecida desde os primeiros dias de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela pode ser conseguida através do leite materno e, por isso, a organização o considera fundamental para todos os bebês em seus primeiros 6 meses de vida. 

Por ser um alimento completo, ele não demanda a adição de água, sucos ou outros tipos de alimentos na dieta dos bebês durante o tempo em que seu uso for exclusivo. 

O leite materno é tão importante, que mesmo durante a pandemia, em meio a todas as dúvidas sobre contaminação e transmissão vertical do vírus entre gestante e feto e por meio do leite, os órgãos de saúde continuaram incentivando a amamentação para estimular o desenvolvimento dos bebês.

Bancos de leite e a contraindicação da amamentação

Os bancos de leite atendem também mães e bebês quando há algum tipo de contraindicação para a amamentação. É o caso, por exemplo, das mães que foram diagnosticadas com câncer de mama e estão em tratamento, das que fazem uso de medicações que impedem a amamentação ou das que têm HIV, HTLV ou outra doença transmissível pelo leite.

A importância da doação de leite humano

Crianças menores de 1 ano que não são amamentadas com leite materno têm maior risco de adquirir diversas doenças e até mesmo morrer em relação às que o recebem.  É por isso que os  bancos de leite são tão essenciais para bebês prematuros ou com algum tipo de dificuldade especial, como é o caso daqueles que passaram por algum tipo de cirurgia ou estão com baixo peso ou não têm acesso ao leite materno.

No entanto, a falta de informação tem trazido prejuízos para os estoques de bancos de leite em todo o país. Ao contrário do que muitos pensam, cada gota doada é importante e, por isso, quanto mais doadoras houver, mais bebês poderão ser amamentados adequadamente. 

Com um litro de leite humano, por exemplo, é possível amamentar até 10 recém-nascidos por dia, principalmente os prematuros e com baixo peso. Para estes, 1 ml de leite diário já é suficiente para garantir os nutrientes que precisam.

Sendo assim, a doação de leite humano é fundamental e qualquer quantidade é muito bem-vinda. Quem deseja doar deve entrar em contato com o banco de leite de sua região para obter mais informações.

Quais os diferenciais do primeiro Banco de Leite público de Petrópolis?

No último dia 23 de agosto de 2022, foi inaugurado o primeiro Banco de Leite Humano público da cidade de Petrópolis, no Hospital Alcides Carneiro (HAC) , em Corrêas. O hospital é referência na Região Serrana na área materno-infantil e oferece assistência às gestantes e recém-nascidos de alto e baixo risco.

Além de uma equipe multidisciplinar altamente capacitada, o HAC, possui 10 leitos de Terapia Intensiva Neonatal e 15 leitos destinados a cuidados intermediários a bebês que apresentam necessidades especiais e precisam de algum suporte no início de suas vidas.

Como funciona o Banco de Leite do HAC?

Para atender de forma adequada às demandas externas e do hospital, o banco de leite do HAC conta com toda a infraestrutura e equipamentos necessários para seu correto funcionamento e exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA.

Além disso, todos os profissionais que prestam serviços no Banco de Leite Humano do HAC foram capacitados pelo Instituto Fernandes Figueira / Rede de Banco de Leite Humano Ibero-americano, ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O hospital oferece também uma rede de apoio, que vai desde a conscientização sobre a importância do aleitamento materno, até ações e intervenções assistenciais junto aos bebês e suas mães.

Atendimento externo

Além das demandas internas ao hospital, o BLH oferece atendimento ao público externo de segunda à sexta-feira, das 7h às 16h. Para doações e orientações, basta entrar em contato através do telefone (24) 2236-6600 (Ramal 264) ou pelo e-mail  bancodeleite@alcidescarneiro.com.

Saiba mais sobre os BLHs.

Como você viu, os bancos de leite humano oferecem muitos benefícios. Agora que você já conhece sua importância para recém-nascidos e bebês prematuros ou com necessidades especiais, aprofunde seus conhecimentos assistindo a este vídeo. 

Unifase . A Sua faculdade em Petrópolis 

4 de junho de 2026
Mais de 70% dos brasileiros já tomaram medicamentos por conta própria. Entenda os perigos dessa prática e saiba quando procurar ajuda profissional. Dor de cabeça, febre, mal-estar ou uma simples indisposição. Diante desses sintomas, muitas pessoas recorrem imediatamente ao remédio mais próximo, sem orientação médica ou farmacêutica. O que parece uma solução rápida, porém, pode esconder riscos importantes para a saúde. Segundo pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), 77% dos brasileiros admitem praticar automedicação. Em muitos casos, o hábito faz parte da rotina semanal — ou até diária. O problema é que o uso inadequado de medicamentos pode causar intoxicações, mascarar doenças graves, provocar reações adversas e até contribuir para o aumento da resistência bacteriana. Mas afinal, quando a automedicação se torna perigosa? O que é automedicação? A automedicação acontece quando uma pessoa utiliza medicamentos por conta própria, sem avaliação de um profissional de saúde. Isso inclui: Tomar remédios por indicação de amigos ou familiares; Utilizar prescrições antigas; Alterar doses recomendadas pelo médico; Interromper tratamentos antes do prazo indicado; Fazer uso de suplementos, vitaminas ou fitoterápicos sem orientação. Embora alguns medicamentos sejam vendidos sem necessidade de receita, isso não significa que sejam totalmente seguros. Quais são os medicamentos mais usados sem orientação? Entre os medicamentos mais utilizados na automedicação estão: Paracetamol; Dipirona; Ibuprofeno; Diclofenaco; Antiácidos. Por serem facilmente encontrados em farmácias, muitas pessoas acreditam que seu uso não oferece riscos. No entanto, o cenário é diferente. O paracetamol, por exemplo, pode causar lesões hepáticas quando utilizado de forma inadequada. Já os anti-inflamatórios estão associados a danos renais e podem reduzir a eficácia de medicamentos usados no tratamento da hipertensão arterial. A internet está aumentando os casos de automedicação? Sim. Com o crescimento das redes sociais, sites de saúde e ferramentas de inteligência artificial, tornou-se cada vez mais comum que pessoas tentem diagnosticar seus próprios sintomas. O problema é que um sintoma isolado raramente é suficiente para definir uma doença. Uma dor de cabeça pode estar relacionada a estresse, alterações hormonais, problemas neurológicos ou diversas outras condições. Sem avaliação clínica adequada, existe o risco de utilizar o medicamento errado e retardar o diagnóstico correto. Os riscos da automedicação vão muito além dos efeitos colaterais Um dos principais perigos é o chamado mascaramento de sintomas. Quando uma pessoa utiliza medicamentos apenas para aliviar sinais como dor ou febre, pode acabar escondendo manifestações importantes de doenças mais graves. Imagine alguém que toma analgésicos diariamente para controlar dores de cabeça frequentes. O sintoma desaparece temporariamente, mas a causa permanece sem investigação. Além disso, o uso inadequado pode provocar: Intoxicações medicamentosas; Reações alérgicas; Lesões no fígado; Danos aos rins; Interações medicamentosas perigosas; Falha terapêutica; Agravamento de doenças preexistentes. Crianças e idosos exigem atenção redobrada Os extremos da vida são especialmente vulneráveis aos efeitos dos medicamentos. Nas crianças, os sistemas responsáveis pelo processamento dos fármacos ainda estão em desenvolvimento. Já nos idosos, fígado e rins podem apresentar funcionamento reduzido, aumentando o risco de toxicidade. Além disso, muitos idosos utilizam vários medicamentos simultaneamente, o que favorece interações medicamentosas potencialmente perigosas. Resistência bacteriana: um problema global O uso inadequado de antibióticos é uma das maiores preocupações da saúde pública mundial. Quando uma pessoa utiliza antibióticos sem necessidade, interrompe o tratamento antes do prazo ou faz uso incorreto da medicação, contribui para o desenvolvimento de bactérias resistentes. Esses microrganismos tornam-se mais difíceis de combater, reduzindo a eficácia dos tratamentos disponíveis. É por isso que antibióticos devem ser utilizados exclusivamente sob orientação profissional. Suplementos e vitaminas também exigem cuidados Muitas pessoas acreditam que produtos naturais não apresentam riscos. Mas essa ideia está longe da realidade. Vitaminas, suplementos alimentares, fitoterápicos e até chás medicinais contêm substâncias capazes de alterar o funcionamento do organismo. Quando utilizados sem necessidade ou em excesso, podem provocar intoxicações e interagir com medicamentos de uso contínuo. E as famosas canetas para emagrecer? A popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" trouxe um novo desafio. Embora alguns desses medicamentos apresentem benefícios comprovados para determinados pacientes, seu uso deve ocorrer sob acompanhamento profissional. Existem contraindicações, ajustes de dose e avaliações clínicas que precisam ser realizados antes do início do tratamento. Utilizar esses medicamentos apenas por objetivos estéticos, sem orientação adequada, pode representar riscos importantes à saúde. Como identificar uma possível reação adversa? Alguns sinais podem indicar que um medicamento está causando efeitos indesejados: Náuseas; Vômitos; Dor abdominal; Coceira; Manchas na pele; Urticária; Mal-estar inesperado; Reações alérgicas. Ao perceber qualquer um desses sintomas após iniciar um medicamento, o ideal é procurar atendimento médico e informar todos os produtos utilizados, incluindo vitaminas, suplementos e fitoterápicos. Como manter uma farmácia doméstica segura? Ter medicamentos básicos em casa pode ser útil, mas alguns cuidados são fundamentais: Verifique regularmente a validade: Medicamentos vencidos podem perder eficácia e aumentar riscos à saúde. Armazene corretamente: Evite guardar remédios em locais com calor, umidade ou variações de temperatura, como cozinhas e banheiros. Faça o descarte adequado: Medicamentos não devem ser descartados no lixo comum nem no vaso sanitário. Muitas farmácias oferecem pontos de coleta específicos para descarte seguro. Quando é seguro tomar um medicamento por conta própria? Situações pontuais, como uma dor de cabeça ocasional, podem ser manejadas com medicamentos de venda livre, desde que respeitadas as orientações da bula. No entanto, quando os sintomas se tornam frequentes, persistentes ou intensos, é fundamental investigar a causa. Medicamentos aliviam sintomas, mas nem sempre resolvem o problema que está por trás deles. A melhor escolha continua sendo a orientação profissional A automedicação pode parecer inofensiva, mas seus impactos vão muito além do alívio imediato dos sintomas. Buscar orientação médica ou farmacêutica é a forma mais segura de garantir tratamentos eficazes, evitar complicações e preservar a saúde a longo prazo. Antes de tomar qualquer medicamento, lembre-se: informação de qualidade e acompanhamento profissional fazem toda a diferença. QUER SABER MAIS? CONFIRA A ENTREVISTA DA PROFESSORA DA UNIFASE E FARMACÊUTICA PRISCILA FEIJÓ: https://www.youtube.com/watch?v=uoF3mW0VdNk
3 de junho de 2026
Projeto desenvolvido no Quilombo Boa Esperança foi um dos seis melhores trabalhos apresentados no II Congresso da Rede Internacional de Extensão Universitária
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O curso de Medicina da UNIFASE/FMP realizou, no mês de maio, a Aula Magna da graduação, reunindo estudantes e professores para uma reflexão sobre a prática médica fundamentada na ciência e no pensamento crítico. Com o tema “Medicina Baseada em Evidências: como pensar criticamente desde o primeiro dia”, a aula foi ministrada pelo médico Luis Eduardo Fontes, mestre e doutor em Saúde Baseada em Evidências pela Unifesp e pela Universidade de Oxford. A proposta do encontro foi estimular estudantes e profissionais da área da saúde a refletirem sobre a importância da análise crítica e da tomada de decisões clínicas fundamentadas em evidências científicas desde o início da formação acadêmica.  Além de professor titular da disciplina de Urgência e Emergência da UNIFASE/FMP, Luis Eduardo Fontes é coordenador do Grupo de Pesquisa em Saúde Baseada em Evidências da instituição, pesquisador associado sênior do Centre for Evidence-Based Medicine da Universidade de Oxford, diretor do Centro Afiliado Cochrane Brasil Rio de Janeiro e cofundador da Oxford-Brazil EBM Alliance.