Residência da UNIFASE promove imersão em saúde mental no Museu de Imagens do Inconsciente

16 de julho de 2026
Residência da UNIFASE promove imersão em saúde mental no Museu de Imagens do Inconsciente

Atividade reuniu residentes de diferentes programas para discutir a luta antimanicomial, a obra de Nise da Silveira e práticas humanizadas de cuidado

Compreender a saúde mental para além dos diagnósticos e tratamentos convencionais foi a proposta de uma atividade promovida pela Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU) da UNIFASE. Residentes dos programas de Residência Multiprofissional em Atenção Básica e das Residências Uniprofissionais em Enfermagem Obstétrica, Enfermagem Oncológica e Enfermagem em Terapia Intensiva participaram de uma visita técnica ao Centro de Educação e Memória e ao Museu de Imagens do Inconsciente, no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro.


A iniciativa teve como objetivo integrar os diferentes programas de residência e promover uma reflexão transversal sobre saúde mental, ampliando a formação dos profissionais por meio do contato com um dos mais importantes espaços dedicados à memória da psiquiatra Nise da Silveira, referência mundial na defesa de práticas humanizadas de cuidado em saúde mental.


"Propusemos essa atividade porque os residentes, independentemente da área em que atuam, convivem frequentemente com situações relacionadas à saúde mental. Seja na Atenção Básica, na Enfermagem Obstétrica, Oncológica ou em Terapia Intensiva, todos se deparam com pacientes em sofrimento psíquico e em episódios de profunda desorganização mental. Nossa intenção foi apresentar o método terapêutico desenvolvido por Nise da Silveira e discutir formas de acolhimento e manejo clínico desses pacientes, não para formar psicólogos ou psiquiatras, mas para que todos os profissionais de saúde compreendam seu papel nesse cuidado", explicou o professor Michel Cabral Pacheco, preceptor de Psicologia da Residência Multiprofissional em Atenção Básica da UNIFASE. No encontro em parceria com a professora convidada Ana Reis, eles realizaram uma palestra sobre “A teoria Junguiana aplicada por Nise” e uma apresentação do caso clássico acompanhado por Nise. A história de Adelina Gomes e um paralelo com o mito grego de Apolo e Dafne.


A programação abordou temas como a luta antimanicomial, o manejo clínico de casos psicóticos, a teoria junguiana aplicada à prática clínica, a utilização da arte como recurso terapêutico e a construção de estratégias de cuidado centradas na singularidade dos pacientes.


"O que mais me marcou nessa visita foi perceber a transformação daquele espaço. Um lugar que já representou sofrimento e práticas desumanizadoras tornou-se um espaço de cuidado, cultura, arte e produção de saúde. Essa experiência reforçou a importância da luta antimanicomial e nos fez refletir sobre o tipo de cuidado que queremos oferecer enquanto profissionais da saúde. Conhecer essa história nos ajuda a compreender que o acolhimento, o respeito e a valorização da pessoa são fundamentais para que não reproduzamos práticas de violência no nosso cotidiano profissional", destaca Camille de S. Thiago Pontes, psicóloga residente do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica.


Além de favorecer a integração entre residentes de diferentes áreas, a experiência proporcionou momentos de troca de conhecimentos e reflexão sobre os desafios contemporâneos da atenção psicossocial, reforçando a importância do trabalho multiprofissional e da construção coletiva do cuidado.



“Por meio de pintura, modelagem e outras atividades expressivas, Nise ofereceu novas possibilidades de cuidado para pessoas que viviam internadas em hospitais psiquiátricos. Naquela época, muitos indivíduos considerados “fora do padrão social” — pessoas com transtornos mentais, autistas, homossexuais, transexuais e mulheres que desafiassem as normas da época — eram frequentemente institucionalizados e submetidos a tratamentos extremamente duros. O trabalho de Nise representou uma ruptura com essa lógica e mostrou que o acolhimento, o respeito à subjetividade e o vínculo humano podem ser elementos centrais do cuidado em saúde mental”, conclui Michel.


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