Por que fazer especialização em dermatologia? Saiba aqui!

20 de maio de 2022
Por que fazer especialização em dermatologia? Saiba aqui!

A especialização em dermatologia é uma área que cresce globalmente. No Brasil, por exemplo, a busca por tratamentos para a pele, sejam estéticos ou clínicos, nunca foi tão grande como nos últimos anos. 

A pandemia da Covid-19 colocou esta especialidade ainda mais em evidência, pois a doença afeta, também, a pele de algumas pessoas, apresentando diversas manifestações clínicas, como erupções cutâneas, vermelhidão, coceira e outras.

Apesar de muitos acreditarem que esta especialidade médica está relacionada somente a tratamentos estéticos, a verdade é que ela abrange um cenário muito mais amplo. 

Dermatologistas diagnosticam, tratam e fazem controle de todas as enfermidades ligadas à pele e aos tecidos subcutâneos, como alergias, infecções, hanseníase, câncer, problemas capilares, na boca, nas unhas e muito mais.

Para conhecer as principais vantagens dessa especialização, leia o artigo até o final! Informe-se sobre sua importância, suas subespecializações e as tendências para este mercado. 

Boa leitura!

Como o universo da dermatologia tem evoluído?

A dermatologia é uma especialidade médica responsável pelo estudo e tratamento de mais de 4.000 problemas e doenças de pele e anexos cutâneos.

Atualmente, 15 a 30% dos atendimentos feitos em instituições públicas e privadas dos sistemas de saúde são para tratamentos dermatológicos, terapêuticos e estéticos.

A área passou por um intenso processo de formação e transformação que acompanhou a evolução da medicina contemporânea ao longo dos anos. É uma área que se expandiu e, assim, passou a englobar uma série de procedimentos cirúrgicos, diagnósticos e estéticos.

Atualmente, a especialização em dermatologia conta com uma grade curricular que engloba diversos tópicos e outras áreas da medicina, como por exemplo:  

  • Alergologia Básica
  • Anatomia da pele
  • Biologia
  • Fisiologia
  • Imunologia
  • Infectologia
  • Ginecologia e Obstetrícia
  • Microbiologia
  • Oncologia Básica
  • Patologia Cutânea 

Inovações tecnológicas à serviço da dermatologia

A transformação digital mudou a forma como as pessoas interagem e buscam soluções para seus problemas. Essas mudanças chegaram a todas as áreas e segmentos de mercado.

As transformações tecnológicas estão também na medicina e tiveram papel crucial nas mudanças e evoluções na área. Isso não foi diferente com a dermatologia, que junto a pacientes e profissionais de saúde, tem se beneficiado muito das inovações e soluções proporcionadas pela tecnologia.

Confira a seguir como ela tem mudado a dermatologia e proporcionado a criação de melhores soluções e condições para diversos pacientes:

Dermatologia tecnocientífica

Assim como as tecnologias da informação e comunicação revolucionaram o mundo e suas relações sociais, elas também trouxeram contribuições significativas para a área de saúde para o incentivo às pesquisas científicas em todas as áreas médicas, inclusive a dermatologia clínica e estética.

Através da dermatologia científica, é possível estudar, pesquisar e criar novas soluções e tratamentos para os mais diversos problemas de pele.

Nanotecnologia ou nanociência.

A nanociência é o estudo de partículas em escala atômica ou molecular e tem proporcionado grandes avanços no uso de substâncias e medicamentos em escala nanométrica.

Na dermatologia, a nanomedicina tem apresentado grandes benefícios, oferecendo soluções para a área estética e cosmética. Ela possibilita diversos usos, como o aumento da biodisponibilidade de substâncias nos tecidos da pele, melhora da textura e cosmética de medicamentos, dos fotoprotetores e outros medicamentos de uso tópico.

Teledermatologia

A telemedicina ganhou ainda mais espaço e visibilidade durante a pandemia da Covid-19 e é realidade também nos atendimentos dermatológicos. Neste caso ela recebe o nome de teledermatologia

No entanto, seu uso não é algo recente. A primeira experiência aconteceu em 1992 e depois disso não parou mais. Hoje, é possível realizar consultas, fazer triagens, realizar treinamentos educacionais de residentes ou fornecer suporte a outras especialidades médicas. 

O telediagnóstico, uma solução sobre a qual você aprenderá na especialização em dermatologia, é um exemplo disso e pode ser realizado graças à facilidade na captura e transmissão de imagens digitais.

Subespecialidades em dermatologia: uma evolução importante.

Existem diversas ramificações e subespecialidades na dermatologia. Ela é uma área cada vez mais versátil e conta com um amplo espectro de atendimento. Algumas destas subespecializações são:

  • Cosmiatria: conhecida também como dermatologia cosmética, cuida do aspecto estético da pele, estuda os efeitos dos cosméticos sobre a pele e também efeitos colaterais e atua na prevenção e tratamento das doenças.
  • Cirurgia Dermatológica : especialização em dermatologia que forma o profissional para realizar diversas cirurgias na pele.
  • Hansenologia: estuda e trata a hanseníase, uma das doenças de pele mais graves que acometem o ser humano.
  • Dermato-oncologia : especialização em dermatologia que trata os mais diversos tumores e cânceres de pele.
  • Dermatopatologia : estuda a histologia de doenças de pele.
  • Dermatopediatria: estudo e tratamento de doenças de pele em crianças, que podem exigir tratamentos e uso de medicamentos diferenciados.
  • Onicologia: diagnostica e trata doenças nas unhas e em todo o aparelho ungueal, assim como micoses, unhas encravadas e outros.

Tendências em dermatologia

Para atender e oferecer as melhores soluções em diagnóstico e tratamento, os dermatologistas mais capacitados do mundo se reúnem todos os anos no congresso americano de dermatologia. 

Lá, eles debatem propostas, avaliam e sugerem inovações e mapeiam os desafios e possibilidades de crescimento para esta área médica. No último evento, foram apontadas algumas tendências que trarão melhorias no tratamento de diversos problemas de saúde da pele.

  • Será o fim da alopecia?

Uma das propostas colocadas em debate foi a bioestimulação das áreas do corpo onde não há pêlos ou cabelos, conhecida como alopécia. O tratamento consta da injeção de plasma rico em plaquetas nestas áreas.

O objetivo deste método é promover o crescimento de cabelo e pêlos ao ativar células mortas.

  • Diagnósticos de melanoma muito mais precisos

Dermatoscopia digital é uma novidade que deverá ser usada largamente no diagnóstico do melanoma, um tipo de câncer de pele. A alta resolução do aparelho permitirá diagnósticos mais precisos e aprofundados a partir de imagens computadorizadas em 3D.

  • Silicone tópico e cicatrizações mais rápidas

Direcionada para os dermatologistas estéticos, o silicone tópico vem substituir os produtos à base de petrolato na cicatrização de processos cirúrgicos. 

  • Uma cura mais rápida para a dermatite atópica.

A proposta debateu o uso de uma injeção subcutânea à base do Dupilumabe, um princípio ativo capaz de tratar dermatites atópicas mais graves com menos sintomas e mais agilidade.

5 vantagens de fazer uma especialização em dermatologia

1. Motivação pessoal

Já imaginou poder ajudar na cura de pacientes com sérias lesões na pele causadas por queimaduras ou outras doenças e contribuir para seu bem-estar físico e emocional? Ou quem sabe acompanhar o tratamento com um paciente com câncer de pele e levá-lo à cura? 

Fazer parte do bem-estar do outro é a sua motivação pessoal? Então, saiba que esta é uma das vantagens de fazer uma pós em dermatologia.

2. Alta demanda

Conforme já dissemos antes, a procura por dermatologistas tem crescido bastante, tanto para o tratamento de doenças de pele quanto para as questões estéticas.

3. Campos de atuação

Há um vasto campo de atuação e as oportunidades de trabalho são muitas. É possível trabalhar em:

  • Hospitais, clínicas médicas e postos de saúde
  • Consultórios próprios
  • Clínicas de estética
  • Indústria cosmética
  • Consultorias

4. Remuneração

Atualmente, é uma das remunerações mais altas da medicina. Apesar de sites de empregos indicarem remunerações entre R $4.500 a R $18.500, o salário de um dermatologista pode ser muito maior. 

Assim como as demais especializações, tudo depende do tempo de experiência, do local de trabalho e número de horas trabalhadas. 

5. Rotina de trabalho flexível

Assim como outras especialidades médicas, a dermatologia permite que cada profissional crie sua agenda de trabalho de acordo com a sua necessidade e planos pessoais. Dessa forma, é possível conciliar facilmente a vida pessoal e profissional, sem abrir mão da qualidade de vida.

Como funciona a Pós-Graduação Lato Sensu em Dermatologia da Unifase/FMP 

O objetivo do curso de especialização em dermatologia é oferecer ampla formação para que os médicos possam atender com excelência e obter o título de especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia/Associação Médica Brasileira.

  • Duração: 3 anos
  • Número de vagas: 05 vagas para graduados em Medicina. 
  • Credenciamento: Sociedade brasileira de dermatologia para ensino e pesquisa.
  • Atendimento supervisionado: acontece nos ambulatórios das especialidades e na enfermaria de dermatologia do Hospital Central do Exército/RJ. 

Na Unifase/FMP, os profissionais são preparados para tratar doenças de pele, unhas, mucosas visíveis e trabalhar nas diversas subespecialidades da dermatologia . É o caso, por exemplo, das diversas doenças relacionadas à pele, com ou sem relação direto com o órgão, como acontece no caso das diabetes, covid-19 cânceres internos e outros problemas de saúde.

Além disso, a faculdade está preparada para formar profissionais capazes de atuar neste novo cenário, onde a tecnologia tem trazido grandes inovações e mudanças para a medicina.

A complexidade do curso de especialização em dermatologia e toda a infraestrutura disponível para sua realização, contribuem para a formação de profissionais extremamente qualificados e diferenciados. 

Faça a sua especialização na Unifase/FMP!

O momento de você se especializar e se capacitar para enfrentar o mercado de trabalho é a agora! Faça a sua especialização em dermatologia e conte conosco nesse processo!

6 de abril de 2026
Rotina, uso de telas e estresse interferem no descanso, e ações educativas reforçam a importância de dormir melhor
1 de abril de 2026
Às vésperas da Páscoa, quando o chocolate ganha destaque nas vitrines e no imaginário popular, a nutricionista e professora da UNIFASE, Brigitte Olichon, resgata a origem dessa tradição e propõe uma reflexão sobre o consumo desse alimento tão presente na data. Ao percorrer a história do chocolate, desde suas raízes culturais até seus efeitos no organismo, a especialista convida o leitor a enxergar além da tentação e compreender melhor o papel desse doce na nossa alimentação. Confira: Está chegando a Páscoa, e as lojas estão completamente enfeitadas de todas as formas possíveis e imagináveis de chocolate. Uma tentação!!! Mas... o que tem a ver uma coisa com a outra? Como sempre, muitas das nossas tradições têm raízes muito mais antigas do que imaginamos... Neste caso, muito antes do Judaísmo ou do Cristianismo se posicionarem como religiões de massa, civilizações do Mediterrâneo e orientais tinham como costume presentear amigos e familiares com ovos (de galinha ou de pata) coloridos com ervas. Isso acontecia sobretudo quando chegava a primavera, como símbolo de vida e renascimento - vamos lembrar que essas regiões do hemisfério Norte estavam saindo de um longo, tenebroso, frio e escuro inverno, do qual nem todos saíam vivos. Várias formas de se enfeitar os ovos eram utilizadas: com flores, ervas, desenhos, imagens de deusas pagãs, animais... E a igreja cristã, então, quando quis abafar os rituais pagãos, novamente se apoderou de seus símbolos e começou a ilustrar os ovos com as imagens de Jesus e Maria, associando o sentido de renascimento à Páscoa cristã, que celebra a ressurreição do Cristo. Esta tradição continuou, portanto, e tomou proporções grandiosas na Idade Média, quando nobres e cavaleiros presenteavam com ovos cobertos de ouro e pedrarias... Na Rússia, ficaram famosos os ovos feitos por um ilustre ourives francês (Fabergé), que transformava essas jóias em verdadeiras obras de arte! E quando tudo isso se transformou nas delícias de chocolate? Bem, ainda demorou um tempo... tempo suficiente para que os espanhóis invadissem a América e experimentassem o "líquido quente" (tchocoatl) que os nativos incas, maias e astecas utilizavam em rituais sagrados e na guerra. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. Este chá, feito com sementes esmagadas de cacau, milho e chili, era amargo, forte, quente... e dava força, recuperava doentes, reanimava guerreiros e servia de presente ao mundo dos mortos. Quase que ressuscitava mesmo! Levado para a Europa, este sagrado e miraculoso alimento foi acrescido de vários outros ingredientes para se tornar algo mais palatável: açúcar, leite, creme de leite e manteiga. Mas como tudo isso era caro, só os nobres tinham acesso a esta delícia dos deuses. Quando Portugal se deu conta de que tinha um quintal meio ocioso, "em que se plantando tudo dá", trouxe para cá plantações de cacau que, somadas às já presentes plantações de cana-de-açúcar, tornaram o império mais rico e mais forte. Claro que foram cozinheiros franceses que tiveram a idéia de fazer ovos de chocolate... e a moda pegou, para a alegria de todos! Alegria... relativa. Na verdade, o verdadeiro chocolate, feito com um teor mais alto de cacau (acima de 70%), tem substâncias chamadas flavonóides e polifenóis que têm uma função antioxidante, prevenindo a aterosclerose e as doenças do coração, a formação de coágulos no sangue e derrames, diminuem o colesterol ruim e a pressão arterial, são estimulantes do sistema nervoso central e estimulam a produção de serotonina, o hormônio do prazer. Tudo de bom, né? Mas como tudo na vida, ele também tem seu lado negativo. Mesmo o chocolate amargo (com mais de 70% de cacau) é muito calórico e vicia, além de provocar reações alérgicas em muitas pessoas: dor de cabeça, diarréia, pedras nos rins, acne, tensão pré-menstrual podem ser alguns dos sinais. Fique atento. Outro ponto a ser considerado é que o bom chocolate, com sementes de cacau de boa qualidade, é sempre importado - e caro! Porque o bom que é produzido aqui no Brasil é selecionado para a exportação, uma vez que lá fora as pessoas querem qualidade, querem o que há de melhor... e nós ficamos com "o resto": sementes de baixa qualidade, que exigem que se acrescente mais açúcar, mais gordura hidrogenada, mais aditivos químicos para ter consistência e "sabor". Assim, o que aqui chamamos "chocolate" muitas vezes nem chega perto - o chocolate branco, por exemplo, nem leva cacau, só a gordura da semente. E, então, embora viciados e acreditando que estamos nos alimentando de algo que pode até fazer bem à saúde, na verdade estamos nos envenenando e comprometendo fígado, coração, rins... E fazemos isso a nós mas, principalmente, às nossas crianças, que aprendem desde cedo a gostar de alguma coisa que só vai torná-las mais doentes. A questão, então, é a moderação, o equilíbrio. Utilizar um produto de qualidade, puro, com alto teor de cacau - eles são mais caros, é verdade; e mais finos também. Mas quem disse que vamos conseguir comer tudo de uma vez? E nem precisamos. Basta termos a real noção do que representa o chocolate em nossa vida: é um alimento precioso, de renascimento, para momentos especiais... Bom renascimento regado a chocolate para vocês!
31 de março de 2026
O descarte inadequado de medicamentos, muitas vezes tratado como um hábito inofensivo, tem se revelado um problema silencioso com impactos que vão muito além do lixo doméstico. Substâncias farmacológicas descartadas de forma incorreta podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de contribuir para um dos maiores desafios da saúde pública atual: o aumento da resistência a medicamentos. Recentemente, o tema também esteve em debate na UNIFASE durante a 4ª Jornada da Virada Climática, ampliando a reflexão sobre as conexões entre saúde, meio ambiente e uso racional de medicamentos. Para aprofundar o debate, a Profa. MsC. Priscilla Feijó, docente de Farmacologia da UNIFASE, explicou como práticas cotidianas, como o descarte incorreto de remédios, podem impactar diretamente o meio ambiente e favorecer a seleção de microrganismos resistentes. 1 - O que acontece quando descartamos medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário? R.: Os medicamentos contêm compostos biologicamente ativos e muitos deles mantêm sua atividade mesmo após serem descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. O problema é que os sistemas de tratamento de resíduos e de esgoto não foram projetados para remover completamente esses compostos. E aí surge o problema: essas substâncias ativas atingem o solo, rios e lençóis freáticos, podendo persistir no ambiente por longos períodos. Uma vez no ambiente, podem ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, contaminando peixes, plantações e até animais de criação. Com isso, acabam retornando ao ser humano, principalmente por meio da ingestão de água e alimentos, ainda que em baixas concentrações. Diversos estudos mostram que o descarte inadequado de medicamentos é uma fonte relevante de resíduos farmacêuticos no ambiente, somando-se a outras vias de contaminação. 2 - Quais são os impactos ambientais mais preocupantes? R.: O impacto ambiental é expressivo, indo desde a contaminação de lençóis freáticos e do solo até a bioacumulação em organismos aquáticos e terrestres, com potencial de transferência ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao ser humano. Além disso, o descarte de medicamentos hormonais e de anti-inflamatórios, sendo estes últimos amplamente utilizados e, em muitos casos, isentos de prescrição, contribuem para a desregulação endócrina, levando a alterações reprodutivas e comportamentais. E, quando pensamos em antibióticos, o cenário se torna ainda mais preocupante: a presença desses compostos no ambiente favorece a seleção de microrganismos resistentes. Agora, imagine: estamos expostos, ainda que em baixas concentrações, a esse conjunto de substâncias ao longo da vida. Qual é o impacto disso na nossa saúde como um todo? Ainda estamos entendendo. O que já sabemos é que hoje enfrentamos um problema real com bactérias multirresistentes, inclusive casos de resistência extrema. E, com o aumento da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente, esse cenário tende a se agravar. É, sem dúvida, uma preocupação crescente. 3 - O que é a resistência a medicamentos e por que ela preocupa tanto hoje? R.: A resistência antimicrobiana é, na verdade, um processo de seleção natural. Quando uma população de microrganismos entra em contato com um antibiótico, os mais sensíveis são eliminados, enquanto aqueles que, seja por mutação ou por características já existentes, conseguem sobreviver, se multiplicam e passam essa resistência adiante. E nós favorecemos essa seleção quando usamos antibióticos de forma inadequada ou quando há uso extensivo na agricultura e na pecuária. E é aí que entra a grande preocupação: infecções que antes eram simples de tratar estão se tornando cada vez mais complexas. Em alguns casos, já lidamos com microrganismos multirresistentes e até pan-resistentes, para os quais praticamente não há opções terapêuticas. Isso tem um impacto direto em nossas vidas. Procedimentos considerados seguros, como cirurgias, quimioterapia ou transplantes, dependem da eficácia dos antimicrobianos. Sem eles, o risco de infecção volta a ser um fator limitante real. 4 - O que cada pessoa pode fazer para ajudar a reduzir esse problema? R.: Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo, e pequenas mudanças de comportamento já fazem diferença. O primeiro ponto é não usar medicamentos por conta própria. Eles devem ser utilizados apenas quando prescritos, respeitando a dose, o intervalo e o tempo de tratamento, e nunca interrompidos por iniciativa própria. Outro ponto importante é, sempre que possível, adquirir a quantidade exata prescrita, evitando sobras, porque, se não sobra, não há necessidade de descarte posterior. Por fim, é fundamental não descartar medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. O ideal é encaminhar medicamentos vencidos ou em desuso, juntamente com suas embalagens, para pontos de coleta apropriados, como farmácias e unidades de saúde que participam de programas de logística reversa. Hoje, inclusive, já existem plataformas que ajudam a localizar os pontos de coleta mais próximos. Além disso, a informação tem um papel central. Orientar familiares e pessoas próximas sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos contribui diretamente para ampliar o impacto dessas ações. 5 - Qual o papel das universidades nesse debate? R.: Crucial. Na formação, as universidades são responsáveis por preparar profissionais da saúde mais conscientes dentro do conceito de One Health ou Saúde Única. Esses profissionais precisam compreender que a saúde, em seu sentido mais amplo e real, envolve a integração entre ser humano, animais e meio ambiente. Nesse contexto, é fundamental internalizar e transmitir a importância do uso racional de medicamentos e todos os seus desdobramentos, incluindo o descarte adequado. Na produção de conhecimento, as universidades contribuem para a compreensão da dinâmica da resistência, do papel do ambiente como reservatório de genes de resistência e dos efeitos da exposição crônica a resíduos farmacêuticos. Esse conhecimento é essencial tanto para formar profissionais mais engajados quanto para embasar políticas públicas e estratégias de enfrentamento mais eficazes. E talvez um dos pontos mais importantes seja o papel social. A universidade precisa se posicionar como um elo entre ciência e sociedade, promovendo educação em saúde, divulgando informação de qualidade e participando ativamente de iniciativas como programas de descarte correto de medicamentos.