Projeto de extensão da UNIFASE fortalece ações construídas junto à comunidade do Vale do Carangola

16 de setembro de 2026
Projeto de extensão da UNIFASE fortalece ações construídas junto à comunidade do Vale do Carangola

Há mais de uma década, iniciativa aproxima estudantes e moradores e transforma demandas do território em ações nas áreas de saúde, alimentação, educação e cidadania

Mais do que levar atividades da universidade para dentro de uma comunidade, a extensão pode ser uma forma de construir conhecimento junto com quem vive no território. É com essa perspectiva que a UNIFASE desenvolve, desde 2014, o Projeto de Extensão Vale do Carangola, em Petrópolis. Os estudantes extensionistas participam de ações junto aos moradores, em um trabalho que tem como ponto de partida a escuta e o diálogo com a comunidade.


“Esse é um território muito importante para a formação das nossas alunas e dos nossos alunos. Nesse tempo de presença cotidiana, a gente percebe que o território também ensina. Existe uma partilha de conhecimento e de experiências, mas o aprendizado que vem da presença, do compromisso com as lutas do território, do diálogo e da escuta dos moradores é muito importante e bonito de ver. Os relatos que os alunos fazem depois dessa experiência são muito bonitos. É essa a importância de projetos com essa característica na formação: abrir um ciclo em que extensão, pesquisa e ensino caminham juntos”, explica o coordenador de extensão da UNIFASE, Ricardo Tammela.


A relação foi se fortalecendo ao longo dos anos e as ações passaram a ser construídas a partir das conversas com lideranças e moradores. As equipes percorrem as ruas e servidões do bairro, conversam com as famílias e identificam demandas que podem orientar novas iniciativas. A proposta é que as necessidades percebidas no território também façam parte da formação dos estudantes.


Durante a pandemia de Covid-19, essa relação ganhou ainda mais intensidade. Diante da situação de insegurança alimentar enfrentada pelas famílias do bairro, a equipe se mobilizou para arrecadar cestas básicas e apoiar moradores. A ação da moeda social #pratododia também surgiu nesse contexto, com o objetivo de combater a insegurança alimentar e fortalecer a autonomia das famílias.


A saúde também se tornou uma das frentes de atuação a partir das necessidades identificadas pelos moradores. Entre as iniciativas desenvolvidas estão ações voltadas à saúde da criança e da mulher, com atividades de orientação, acompanhamento e atendimento. A experiência mostrou aos extensionistas como questões relacionadas ao acesso aos serviços de saúde e às condições de vida do território estão diretamente ligadas ao cuidado da população.


Na área da educação, o projeto também desenvolveu um preparatório para o ENCCEJA voltado para mulheres, com conteúdos necessários para a prova. O fortalecimento dos vínculos com a comunidade também esteve presente na iniciativa “Cartas do Vale”, criada a partir de uma solicitação de uma liderança comunitária. A proposta aproximou crianças do bairro de pessoas dispostas a participar da campanha e criou uma experiência de troca de cartas, para além da tradicional arrecadação de brinquedos.


Conhecer o território significa ampliar a compreensão sobre as necessidades de uma população para além de diagnósticos ou indicadores. Situações relacionadas à mobilidade, acesso aos serviços, condições de moradia, saúde e alimentação passam a fazer parte do olhar dos estudantes durante a formação.


Um exemplo está na realidade de famílias que enfrentam dificuldades de acessibilidade no próprio bairro. Em uma das situações acompanhadas pelo projeto, está Sandra Leila Lima, que mora no Vale do Carangola há 41 anos, que relatou as dificuldades para sair de casa com o filho, que possui síndrome de Down e limitações de locomoção.


“Quando chove, fica muito difícil sair de casa. A gente acaba ficando preso, porque o caminho fica complicado, principalmente para quem tem dificuldade de locomoção. E não sou só eu, outros moradores também passam pela mesma situação. Quando chove, muita gente prefere não sair”, disse Sandra.


A situação mostra como compreender o cuidado exige olhar também para as condições do território e para os obstáculos que interferem diretamente na vida das pessoas.



“Isso impacta a formação dos nossos alunos, não para que eles assumam um papel que é do Estado, mas para que, como aliados da comunidade, possam pensar junto com moradores e lideranças em estratégias para buscar políticas públicas mais efetivas e uma maior presença do Estado no território”, ressalta Ricardo.


11 de setembro de 2026
Experiências vivenciadas no cotidiano da saúde da família deram origem ao livro Narrativas do Cotidiano Invisível, porém Sentido, de Anna Beatriz Artigues de Araujo Vieira, enfermeira e preceptora da UNIFASE. Publicada pela Artêra Editorial, a obra foi lançada durante a programação da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O livro reúne poemas, narrativas e reflexões construídos a partir da escuta e das experiências vivenciadas pela autora no cuidado em saúde. Os textos abordam temas como infância, violência, pertencimento, espiritualidade, comunicação e vulnerabilidade, revelando histórias e situações que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano. A obra propõe um olhar sensível sobre o cuidado e sobre as relações humanas que atravessam o trabalho na saúde da família, aproximando poesia, experiências territoriais e reflexão sobre o ato de cuidar. “Narrativas do Cotidiano Invisível, porém Sentido” está disponível na Amazon.
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