Geração Z: o desafio não é ensinar uma geração diferente, mas criar experiências que façam sentido

9 de setembro de 2026
Geração Z: o desafio não é ensinar uma geração diferente, mas criar experiências que façam sentido
Por Raquel Ayres de Almeida, psicóloga e professora da UNIFASE

“Os alunos não prestam atenção.” “Ninguém lê mais nada.” “Eles querem tudo mastigado.” “Vivem no celular.” Essas frases fazem parte de conversas cada vez mais comuns entre professores. E, embora expressem desafios reais encontrados nas salas de aula, talvez seja hora de mudar a pergunta.


Em vez de perguntar o que há de errado com os estudantes de hoje, podemos perguntar: o que mudou no ambiente em que eles aprendem?


A chamada Geração Z cresceu em um mundo marcado pela internet, pelos smartphones, pelas redes sociais e pelo acesso imediato à informação. Mas isso não significa que esses jovens tenham um “cérebro diferente” ou que sejam naturalmente incapazes de manter a atenção, ler textos mais longos ou desenvolver pensamento crítico. A própria ideia de que são “nativos digitais”, com habilidades cognitivas completamente diferentes das gerações anteriores, não encontra sustentação suficiente na literatura científica.

O que mudou, principalmente, foi o ambiente.


Vivemos cercados por estímulos, notificações e possibilidades simultâneas de interação. Durante uma aula, é possível alternar entre uma apresentação, uma mensagem, uma rede social, uma busca na internet e uma ferramenta de inteligência artificial em poucos segundos. O problema não é simplesmente o celular. É que estamos tentando sustentar a atenção em um ambiente repleto de dispositivos e plataformas desenvolvidos justamente para capturá-la.


Isso não significa demonizar a tecnologia. Ela também amplia o acesso ao conhecimento, favorece a colaboração, a criatividade e a autonomia. O desafio está em saber quando ela contribui para aprender e quando começa a competir com a aprendizagem.


A Psicologia oferece algumas pistas importantes para essa discussão. Aprender não é apenas ouvir uma explicação ou reconhecer uma informação. É preciso recuperar, organizar, explicar e aplicar o conhecimento. Uma estratégia simples, por exemplo, é pedir ao estudante que, ao final de uma aula, registre as três principais ideias que consegue lembrar sem consultar o material. Esse esforço de recuperação ajuda a consolidar a aprendizagem.


A motivação também merece outro olhar. Quando um estudante pergunta “por que preciso aprender isso?”, nem sempre está demonstrando desinteresse. Pode estar procurando sentido. Mostrar como determinado conteúdo se relaciona com problemas reais, com a futura profissão ou com decisões que ele precisará tomar pode transformar sua relação com o conhecimento.


O mesmo vale para o feedback. Em uma cultura acostumada a respostas rápidas, curtidas e notificações, o retorno do professor pode ser uma ferramenta poderosa — desde que não seja apenas um elogio. Dizer “muito bom” reconhece, mas nem sempre ensina. Um bom feedback mostra o que foi feito adequadamente, o que precisa ser melhorado e como avançar.


E há ainda a inteligência artificial, que acrescenta uma nova camada a esse desafio. Se uma ferramenta consegue produzir um texto, resumir informações ou sugerir respostas em segundos, a universidade precisa valorizar ainda mais aquilo que não pode ser reduzido à reprodução de informações: pensamento crítico, análise, ética, criatividade, argumentação e capacidade de resolver problemas.


Por isso, talvez não seja necessário criar uma pedagogia específica para a Geração Z. Muitas das estratégias que favorecem esses estudantes também podem favorecer estudantes de qualquer idade: aprendizagem ativa, significado, participação, recuperação do conhecimento, feedback qualificado e aplicação prática.


O desafio contemporâneo da docência não é competir com a tecnologia. É criar experiências de aprendizagem suficientemente significativas para que a tecnologia esteja a serviço do conhecimento e não o contrário.


No fim, a pergunta mais importante talvez não seja “como ensinar uma geração diferente?”, mas como criar experiências de aprendizagem que façam sentido, promovam pensamento e preservem o rigor acadêmico em um mundo que mudou?



Essa não é uma pergunta sobre a Geração Z. É uma pergunta sobre o futuro da educação.

23 de outubro de 2026
Estudar e aprender sobre a futura profissão é o primeiro passo para iniciar uma carreira, mas a atuação na área pode parecer algo abstrato quando você ainda não ingressou no mercado de trabalho. É por isso que ter a chance de ouvir quem já se formou e está empregado na área é importante para vislumbrar as possibilidades e entender os reais desafios da profissão. Neste sentido, a UNIFASE conta com o "Como Vai Você?", um projeto de integração entre egressos e alunos da instituição. "O 'Como Vai Você?' é estratégico para o curso de Administração porque ele traz a experiência dos nossos ex-alunos, seus erros e acertos nas carreiras, e aponta caminhos para os estudantes. Por isso, ele é fundamental para quem estuda aqui", explica Ana Auler, coordenadora do curso de Administração da UNIFASE. Neste mês, a convidada foi Camila Sadkowski, formada em Administração na UNIFASE em 2014, que retornou à universidade para a palestra "Intraempreendedorismo: dicas para crescimento profissional e construção de carreira". Hoje, ela atua como diretora de compras da Froneri nos Estados Unidos, multinacional de produção de sorvetes, que é uma joint venture (empreendimento conjunto) entre a Nestlé e a R&R Ice Cream. "Sempre tive o desejo de trabalhar numa multinacional, por isso escolhi estudar Administração na UNIFASE por ser um curso que abre muitas portas e permite a atuação em diversas áreas. A infraestrutura moderna, o corpo docente com ótimos profissionais e o apoio que a instituição dá aos estudantes foram importantes para a minha formação e me prepararam muito bem para o mercado de trabalho", comenta Camila. Seu primeiro passo na vida profissional já na área de Administração foi um estágio na GE Celma, em Petrópolis. Posteriormente, Camila foi para outra empresa, que foi decisiva para chegar até a Froneri. "Passei por todo o processo seletivo com vários candidatos e fui contratada para a função de gerente de compras no Brasil, depois da América Latina, até surgir a oportunidade de ir para os Estados Unidos, onde estou há cinco anos", recorda. Para a gerente de compras, ser curioso além da sua função, assumir problemas, buscar visibilidade, aprender rápido, entregar resultados e construir confiança e liderança são fundamentais para um bom administrador. "É preciso vontade, querer sair da zona de conforto, estudar muito para entender e dominar sua área de atuação, além de assumir que você não vai nem saber nem ter todas as respostas, então é necessário desenvolver mecanismos para saber lidar com as adversidades e os desafios que vão surgir", conclui. A trajetória de Camila ilustra as possibilidades de crescimento profissional na área, cenário que também aparece nos resultados do projeto institucional "Como Vai Você?". Em 2024, a pesquisa com egressos de Administração da UNIFASE registrou índice de empregabilidade de 96,5%. Dos 198 participantes, que representavam 84,2% dos 235 formados nos seis anos contemplados pelo levantamento, todos os 191 profissionais empregados atuavam na área de formação. Além disso, 30% dos egressos ocupavam cargos de liderança, como gerência, direção e supervisão.  Se você tem interesse em ingressar na área de Administração, as inscrições para o vestibular 2027.1 da UNIFASE já estão abertas, no site da instituição: https://www.unifase-rj.edu.br/vestibular-unifase
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Criada por três alunos do 8º período de Medicina da UNIFASE, plataforma apoia os estudos, acompanha o desempenho e gera informações que contribuem para o acompanhamento acadêmico
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