Profissional e clima: oficina na UNIFASE propõe ação além do discurso

3 de março de 2026
Profissional e clima: oficina na UNIFASE propõe ação além do discurso

Conduzido pelo professor Paulo Sá, encontro integrou a 4ª Jornada da Virada Climática e debateu como cada área de atuação pode contribuir, na prática, para mitigar os impactos das mudanças climáticas

Neste fim de semana, a UNIFASE promoveu a oficina “Eu e os Eventos Climáticos – Como mitigar com o meu exercício profissional?”, conduzida pelo professor Paulo Sá, especialista em Saúde Planetária e Cultura Regenerativa. A atividade integrou a programação da 4ª Jornada da Virada Climática, que ao longo de um mês oferece uma agenda variada, gratuita e aberta ao público, com debates, oficinas e ações em território voltados à saúde planetária.


A proposta do encontro foi provocar uma reflexão prática: de que maneira cada profissional, a partir do seu campo de atuação, pode contribuir para reduzir impactos ambientais e enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Em entrevista, o professor Paulo Sá aprofundou essa discussão, destacando responsabilidade individual, ação coletiva e o papel transformador da educação diante da crise climática.


O que significa, na prática, o tema “Eu e os Eventos Climáticos”?

Paulo Sá: É um convite à consciência de que ninguém está fora da crise climática. Um evento extremo em um local, como os recentes registros em Minas Gerais, é um sintoma de desequilíbrios que afetam todo o planeta. Estamos conectados por uma rede de relações sociais, econômicas e ambientais que opera em escala global e também no cotidiano das cidades. Mesmo quando não somos atingidos diretamente, fazemos parte desse contexto e de seus impactos. A proposta é mostrar que ninguém está fora da crise climática.


Como cada profissional pode contribuir para mitigar os impactos das mudanças climáticas?

Paulo Sá: Cada profissional atua a partir de um nicho específico de conhecimento. Eu entendo que essa atuação nunca é neutra: ela pode aumentar, reduzir ou mitigar problemas ambientais. Por isso, é essencial ter consciência das próprias práticas, orientar corretamente, reduzir desperdícios e fazer escolhas mais responsáveis. Um exemplo é priorizar materiais menos poluentes ou informar sobre o uso correto e o descarte adequado de produtos, diminuindo riscos e evitando danos desnecessários ao meio ambiente.


De que forma diferentes áreas do conhecimento podem atuar juntas nesse enfrentamento?

Paulo Sá: Eu considero impossível enfrentar questões ambientais de forma unilateral. Os problemas ambientais são sistêmicos. Solo, floresta e ecossistemas funcionam como sistemas interligados, com múltiplos elementos atuando ao mesmo tempo. Da mesma forma, quando lidamos com um problema ambiental, precisamos reunir diferentes saberes. Cada área do conhecimento oferece ferramentas específicas. Quando elas atuam juntas, ampliam nossa capacidade de compreender o problema de forma sistêmica e de encontrar soluções mais eficazes.


O que muda quando saímos do discurso e partimos para a ação?

Paulo Sá: A ação nos tira do campo da idealização e nos coloca no campo da responsabilidade concreta. Ao partir para a ação, eu passo a entender meus próprios limites e possibilidades. Em vez de apenas apontar falhas externas, começo a perceber o que consigo transformar no meu cotidiano. Também descubro que algumas soluções que pareciam boas no discurso podem não funcionar tão bem na prática. Além disso, há decisões que não estão sob nossa governabilidade individual, pois envolvem escalas institucionais e governamentais.


É possível gerar impacto real com pequenas atitudes no exercício profissional?

Paulo Sá: Com certeza. O ser humano não está separado da natureza; ele é natureza. Toda ação, por menor que pareça, gera impacto. Eu gosto da imagem da pedra lançada no lago: ela cria ondas que se expandem. Da mesma forma, pequenas atitudes profissionais produzem efeitos que se espalham no entorno e influenciam outras pessoas e processos. Não se trata de dizer que apenas pequenas ações resolvem tudo, mas elas alimentam grandes transformações. Quando escolho um procedimento menos danoso ou opto por um produto mais responsável, estou gerando um impacto que pode se ampliar muito além do que consigo enxergar.


Estamos atrasados nas respostas ou ainda há tempo para reverter parte dos danos?

Paulo Sá: Estamos atrasados, mas ainda é possível reduzir impactos, através de decisões e ações imediatas. A natureza tem capacidade de regeneração e a pandemia de Covid-19 mostrou como, quando a atividade humana desacelera, a natureza responde rapidamente. Isso demonstra que o sistema natural tem uma capacidade de regeneração que muitas vezes subestimamos.


Como preparar estudantes e futuros profissionais para esse cenário climático cada vez mais desafiador?

Paulo Sá: A formação precisa estar alinhada à realidade atual e às soluções que estão sendo construídas. Eu acredito que devemos trabalhar a corresponsabilidade, tanto no exercício da cidadania quanto no exercício profissional. É essencial estimular nos jovens uma reflexão sistêmica, baseada em saberes multidisciplinares e multiprofissionais. Não sairemos dessa crise de forma isolada ou apenas com soluções tecnológicas espetaculares. A saída é coletiva.



Qual é o papel das instituições de ensino, como a UNIFASE/FMP, nesse debate?

Paulo Sá: A instituição de ensino é, antes de tudo, formadora. E educação é transformação. Não se trata apenas de reproduzir a cultura existente, mas de contribuir para torná-la melhor. Toda instituição de ensino, da educação infantil ao ensino superior, tem essa responsabilidade. No caso da UNIFASE/FMP, situada em um município marcado por eventos climáticos extremos, essa responsabilidade é ainda mais evidente. Não é possível formar um profissional em Petrópolis sem que ele reflita sobre os processos climáticos em curso. Por isso, assumimos essa pauta como eixo estruturante, com o objetivo de fortalecer uma cultura regenerativa, capaz de gerar esperança e soluções concretas para o futuro.

A programação completa da 4ª Jornada da Virada Climática pode ser conferida no site: 
https://www.unifase-rj.edu.br/evento-de-extensao/iv-jornada-da-virada-climatica


3 de março de 2026
Mais de 60 profissionais de saúde de diferentes regiões do Brasil acabam de chegar a Petrópolis para atuar no Sistema Único de Saúde (SUS), pelos programas de Residência em Saúde do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (UNIFASE), vindos de diversos estados, como Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão, Paraná, Pará e Goiás. Reconhecida pela formação de excelência, a UNIFASE mantém programas de Residência Médica, Multiprofissional e Uniprofissional. Os cenários de prática incluem o Hospital de Ensino Alcides Carneiro, para as residências médica e uniprofissional, e a Secretaria Municipal de Saúde, para a multiprofissional. A instituição atua no hospital há mais de 50 anos, que desde 2006 é credenciado pelos Ministérios da Educação e da Saúde como Hospital de Ensino. "Estamos completando 25 anos de Residência no Hospital de Ensino Alcides Carneiro, com dois novos programas de Residência Médica neste ano: o de Infectologia e o de Ano Adicional em Saúde Mental na Medicina de Família e Comunidade. Hoje somos referência no país e temos a preocupação de integrar a residência médica com a multiprofissional, porque todo profissional de saúde precisa saber trabalhar em conjunto. A nossa intenção é trazer cada vez mais pessoas para se formarem e atuarem aqui, qualificando a mão-de-obra local e, consequentemente, melhorando a qualidade do atendimento médico da população", explica o professor Miguel Koury Filho, coordenador de Residência Médica (COREME) da UNIFASE. Vinda de Salvador (BA), a médica Gabriela Gavazza será a primeira residente do programa de Medicina de Família e Comunidade – Ano Adicional em Saúde Mental. "Fiz o ENARE e encontrei na UNIFASE esse curso novo que vai ser importante para a minha formação como médica. Fiquei muito feliz porque a cidade é linda e tem me acolhido muito bem. Percebi que temos muitos professores para nos auxiliar e tirar todas as nossas dúvidas, então ser a primeira nessa residência só me estimula a desbravar essa área, com a certeza de que a universidade vai dar todo o suporte necessário", destaca. Além dos dois novos programas de Residência Médica, o Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica também foi ampliado, passando a contar com as áreas de Odontologia e Fisioterapia. “Ampliar o número de profissões reafirma nosso compromisso com o SUS e com a formação integrada. A parceria com a Secretaria Municipal de Saúde é um grande diferencial na capacitação e na atuação profissional”, analisa a professora Thaise Gasser Gouvêa, coordenadora da Residência Multiprofissional e Uniprofissional (COREMU) da UNIFASE. A novidade no programa de Residência Multiprofissional foi o que atraiu o residente Samuel Elion a estudar em Petrópolis. "São poucos programas de Odontologia no país. Escolhi a UNIFASE pela proposta de atuação na Atenção Básica e também na Emergência, que é uma área de que gosto muito. Quero contribuir com o município e ampliar minha experiência profissional", comenta Samuel, que vai participar do novo programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica na área de Odontologia. O ingresso para os Programas de Residência em Saúde da UNIFASE acontece exclusivamente por meio do Exame Nacional de Residência em Saúde (ENARE). O processo seletivo 2025/2026 já encerrou as inscrições e o período de matrículas segue até o dia 31 de março. Programas de Residência Médica, Residência Multiprofissional e Residência em Enfermagem A UNIFASE oferece, por meio do Programa de Residências Médicas, as especializações em Anestesiologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Oncológica, Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia, Medicina de Família e Comunidade, Medicina Intensiva, Pediatria, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Radiologia e Diagnóstico por Imagem - Ano Adicional, Neonatologia, Endoscopia, Urologia e o mais novos programas de Infectologia e de Medicina de Família e Comunidade – Ano Adicional em Saúde Mental. Há, ainda, o Programa de Residência em Enfermagem, com especializações em Terapia Intensiva, Oncologia e Obstetrícia. Já o Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica passa a contar com vagas para profissionais das áreas de Odontologia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia e Enfermagem.  Outras informações estão disponíveis no site: www.unifase-rj.edu.br/pos-unifase/programas-de-residencia .
2 de março de 2026
Estudante e professora da UNIFASE, que participaram com o Projeto “Comunidade que Cuida da Vida”, receberam a premiação em Brasília
24 de fevereiro de 2026
Com o tema "Cuidar, Cooperar e Transformar: o caminho para uma transição justa e regenerativa", o Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto deu início à quarta edição da Jornada da Virada Climática, que se estende até o dia 23 de março com uma programação variada, gratuita e aberta ao público. Ao longo do mês, haverá debates, oficinas e ações em território, todos com temas relacionados à saúde planetária. "Há quatro anos que a UNIFASE convida a cidade de Petrópolis a debater sobre as questões das emergências climáticas e como elas afetam seus moradores. Os efeitos destas mudanças atingem diferentes grupos sociais, de diversas maneiras, então é muito importante que a cidade como um todo construa um conhecimento sobre essas questões, focando, sobretudo, em como podemos nos preparar e minimizar os impactos dessas ocorrências", explica o professor Ricardo Tammela, coordenador de Extensão da UNIFASE. Na abertura do evento, foi exibido o curta "Ilha das Flores", seguido de um debate com os professores Ricardo Tammela e Paulo Sá, especialista em Saúde Planetária e Cultura Regenerativa. A programação tem o objetivo de expandir o debate para além da academia, promovendo um diálogo com a sociedade. "Achei o documentário muito interessante porque tem a ver com o meio ambiente e a questão do lixo, que está diretamente ligada a pessoas que estão na extrema pobreza. Nós precisamos ouvi-las para que possamos promover mudanças, então esse tipo de evento é importante para dar voz à parte da sociedade que está escondida nos bairros", comenta Pilar Boche, voluntária do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo. O evento contou não só com alunos da UNIFASE, como também de outras instituições de ensino. "Tem pessoas que provavelmente não teriam participado do debate se não tivessem sido confrontadas com as questões apresentadas pelo documentário. E por mais que elas não tenham experiência direta com os desastres socioambientais, é necessário que elas falem porque as políticas públicas não são feitas somente dentro de uma Câmara. Um cine debate como o de hoje é importante para dar voz a essas pessoas", complementou Maria Clara Sardinha, estudante da escola Firjan/SESI e integrante do projeto Geodric, realizado em parceria com a UFRJ e o CNPq. As atividades da IV Jornada Climática não se restringem ao campus da UNIFASE (Av. Barão do Rio Branco, 1003), abrangendo outras instituições de ensino superior, como CEFET, UFRJ e UFF, e organizações como o SERRATEC, EDUCAFRO e Rebio Araras. "A jornada foi pensada a partir da tragédia ocorrida na cidade em 2022 e, desde o início, a proposta, ainda que em um ambiente universitário, é envolver todo o município. Essa edição tem o diferencial de mobilizar outras instituições para que elas também desenvolvam uma programação aberta à população, acerca desse tema. Isso é uma maneira de fazer as pessoas se envolverem mais no processo reflexivo e, quem sabe, a partir daí surgirem projetos que possam ser colocados em prática. Teremos uma programação durante o mês todo, em diferentes espaços, onde poderemos fazer essa reflexão com diferentes nichos populacionais", conclui o professor Paulo Sá, um dos organizadores do evento. Entre os destaques da programação desta semana, o Cefet/RJ campus Petrópolis promove a palestra "Sistema de Monitoramento Sem-fio de Umidade do Solo para a Predição de Deslizamentos de Terra", com o professor Felipe Henriques, no dia 25 de fevereiro, às 14h. Já nos dias 27 e 28 haverá roda de conversa, com o psicólogo Rafael do Carmo e oficina, com o professor Paulo Sá. Ambas as atividades acontecem no campus da UNIFASE, às 14h e às 9h, respectivamente.  A programação completa está disponível em: https://www.unifase-rj.edu.br/evento-de-extensao/iv-jornada-da-virada-climatica Confira os destaques da programação nesta semana: 25 de fevereiro de 2026 Palestra: Sistema de Monitoramento Sem-fio de Umidade do Solo para a Predição de Deslizamentos de Terra, com o Prof. Felipe Henriques - CEFET-RJ campus Petrópolis Local: CEFET-RJ campus Petrópolis Horário: 14h às 17h Público alvo: Aberto a todos os interessados 27 de fevereiro de 2026 Roda de Conversa: Uma Leitura Kafkiana: Da virada em Pedro, o Vermelho à Virada Climática, com o Psicólogo Rafael do Carmo Local: Auditório do Centro Cultural - UNIFASE Horário: 14h às 17h Público alvo: Aberto a todos os interessados 28 de fevereiro de 2026 Oficina: Eu e os Eventos Climáticos - Como mitigar com o meu exercício profissional?, com o Prof. da UNIFASE, Paulo Sá Local: Auditório do Centro Cultural - UNIFASE Horário: 09h às 12h Público alvo: Profissionais da saúde, agentes comunitários e profissionais de unidades de conservação