2º Simpósio de doenças raras discute importância do diagnóstico e aconselhamento genético

10 de março de 2026
2º Simpósio de doenças raras discute importância do diagnóstico e aconselhamento genético

Petrópolis possui um ambulatório de genética que funciona no Hospital Alcides Carneiro

Foto: Evaldo Macedo


Apesar de raros, são numerosos e não podem ser invisíveis. Estima-se que existam entre cinco e oito mil tipos de doenças raras no mundo, podendo acometer até 5,9% da população mundial. Apesar do número expressivo, muitas famílias ainda sofrem com a falta de informação, diagnóstico e de acompanhamento adequado. Na última semana, pacientes, familiares e estudiosos estiveram no 2º Simpósio de Doenças Raras, realizado pelo projeto INcluir Petrópolis, que aconteceu no auditório do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (UNIFASE), para trocar experiências e ouvir médicos que são referência no assunto.


“15 milhões de pessoas no Brasil são acometidas por doenças raras e sofrem com o diagnóstico tardio e com dificuldades de tratamento. É extremamente importante difundir informações sobre as doenças raras”, declarou Chen Li Cheng, idealizador do projeto INcluir Petrópolis. 


Segundo o médico geneticista e professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis, vinculada à UNIFASE, Juan Llerena, coordenador do Serviço de Doenças Raras da FIOCRUZ, 85% das doenças raras possuem origem genética. “Precisamos detalhar os sintomas que relativamente são frequentes e que podem simular doenças comuns, dificultando o diagnóstico”, ressaltou o geneticista, durante a palestra em que apresentou a experiência de um plano piloto voltado ao Serviço de Referência e à Estratégia de Saúde da Família.


A médica cardiologista Diane Xavier de Ávila destacou a importância dos médicos estarem preparados para auxiliar as famílias na busca pelo diagnóstico: “Existem pistas e padrões repetidos. Quem aprende a reconhecê-los, encontra o diagnóstico. O rastreio em cascata pode salvar vidas de parentes assintomáticos antes que o problema apareça”. 


Segundo o Llerena, 51 Serviços de Referência de Doenças Raras estão habilitados no país. A expansão do modelo visa a redução dos itinerários terapêuticos, evitando que os pacientes façam verdadeiras peregrinações, que incluem vários profissionais de saúde e inúmeros exames, até que um diagnóstico seja fechado, o que pode chegar a 5 anos de espera. “Se é uma doença genética, ela pode se repetir. O histórico familiar é importante para identificar um defeito congênito para que possa ser realizado um aconselhamento genético”, ressaltou o médico, destacando o trabalho do Ambulatório de Genética do Hospital Alcides Carneiro, realizado há 13 anos em parceria com a UNIFASE, onde todos os exames necessários para o diagnóstico são oferecidos pelo SUS. 


“Atendemos desde condições mais comuns como a Síndrome de Down, como doenças raras e ultrarraras, oferecendo diagnóstico, tratamento, aconselhamento genético e orientações de manejo com o paciente. O suporte dado às famílias evita exames desnecessários e deslocamentos para outros centros, já que proporcionamos um cuidado acessível e integralizado, com suporte dos serviços do hospital”, destacou o médico geneticista, Cássio Serao responsável pelo Ambulatório de Genética do HAC, que realizou mais de 450 consultas só em 2025.


“Temos o compromisso de dar visibilidade a este tema já na formação dos profissionais de saúde para que também tenhamos mudanças efetivas nos serviços de saúde pública que sejam capazes de melhorar a qualidade de vida dos pacientes com doenças raras”, comentou a coordenadora de graduação da UNIFASE, Isabel Valente.

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A Psicologia estará em destaque na UNIFASE entre os dias 10 e 13 de junho com a realização da 10ª Semana de Psicologia, evento que reunirá estudantes, professores e profissionais para discutir os múltiplos contextos de atuação e os desafios contemporâneos da profissão. Com o tema "Psicologia em seus diversos cenários", a programação foi elaborada para promover reflexões sobre diferentes campos de trabalho do psicólogo, abordando desde a transição à vida profissional, a atuação em políticas públicas até os desafios relacionados a emergências, desastres e questões territoriais. “A psicologia está em todos os ambientes onde há ser humano, inclusive nos ambientes dominados por máquinas. Os indivíduos e as instituições estão cada vez mais atentos às questões de saúde mental, fundamentais para o bem-estar e para a produtividade. A intersetorialidade está cada vez mais presente no trabalho do psicólogo, pois a saúde mental não pode ser dissociada do contexto social e de outros campos do saber que lidam com a saúde. Devemos estar atentos a situações de emergências coletivas, pois vivemos num município que sofreu experiências de desastres ambientais e que tem uma geografia sensível a novas ocorrências. É preciso que o psicólogo saiba atuar nesses contextos”, destaca Dayse de Marie Oliveira, coordenadora do curso de Psicologia da UNIFASE. A abertura do evento acontece no dia 10 de junho, em formato on-line, com a palestra "Psicologia e suas Interfaces: Intersetorialidade", ministrada pelos professores Jaina Larissa Bastos, Andrea Moreli e Raphael Curioni. A atividade propõe uma discussão sobre a importância da articulação entre diferentes setores para a promoção da saúde e do bem-estar da população. No dia 11 de junho, a programação presencial será realizada na Sala Arthur de Sá Earp Neto. O público poderá assistir à apresentação teatral "Auto-mono-bio-grafia", protagonizada pela graduanda em Psicologia da UNIFASE Maria Mariana Plonczynski. Em seguida, a estudante participa da palestra "Construção de Processos de Transição", ao lado dos psicólogos Daniel de Freitas Quintanilha e Mariah Rêgo Carvalho. Ainda no dia 11, as atividades retornam ao formato on-line com discussões voltadas à psicanálise e ao pensamento de Jacques Lacan. As palestras serão conduzidas pelas professoras Giselle Wendiling Rabelais e Flavia Teixeira, além do professor doutor Marco Antônio Coutinho Jorge. Já no dia 12 de junho, o foco estará na atuação da Psicologia em situações de emergência e nos impactos dos eventos climáticos sobre indivíduos e comunidades. A gestora ambiental Pamela Mércia abordará os efeitos dos eventos climáticos e do racismo ambiental nos territórios, enquanto a psicóloga Ariel Denise Pontes Afonso discutirá os cuidados e desafios éticos da atuação profissional em contextos de desastres e emergências. A programação também inclui a palestra "Saúde e território: Projeto Comunidade que Cuida da Vida", apresentada pela professora da UNIFASE Lívia Teixeira e integrantes da iniciativa, destacando experiências de cuidado e promoção da saúde desenvolvidas junto à comunidade. Encerrando a semana, no dia 13 de junho, será realizada a V Mostra do Serviço de Psicologia Aplicada, atividade exclusiva para os estudantes do curso de Psicologia da UNIFASE, voltada à apresentação de experiências, projetos e práticas desenvolvidas ao longo da formação. “A Semana de Psicologia amplia as discussões sobre temas contemporâneos que ganham relevância diante das novas demandas da sociedade. O espaço da universidade é o local ideal para o debate e a inovação”, conclui Dayse.  O evento é gratuito. Para se inscrever basta acessar o site https://www.unifase-rj.edu.br/evento-de-extensao/semana-de-psicologia-2026 .